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Nicarágua: Comandante da guerrilha sandinista abre o jogo sobre regime de Daniel Ortega
Foto: Reprodução

A Nicarágua voltou à pauta da imprensa internacional no último mês de fevereiro após seu presidente, o autocrata Daniel Ortega, ordenar a desnacionalização de 94 opositores que se encontravam exilados sob a acusação de “traição à pátria”.

 

Após décadas nas quais foi aos poucos tomando o controle da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e das próprias instituições do país, Ortega mantém seu regime vivo graças à mão de ferro das forças de segurança e Forças Armadas nicaraguenses.

 

Frequentemente é usado de maneira retórica pela mídia liberal brasileira a fim de atacar a esquerda, invocando uma suposta reverência do presidente Lula e do próprio PT ao ditador, além de apontar que as esquerdas e seus governos desembocariam, inequivocamente, em regimes de violência e repressão, como o que a Nicarágua vive atualmente.

 

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No entanto, como veremos a seguir, esse discurso que o aproxima de outras esquerdas continentais é justamente um dos elementos que alimenta os delírios e a sede de poder de Ortega, famoso por fraudar sua imagem de anti-imperialista e anticapitalista enquanto atende aos interesses mais obscuros das elites locais e internacionais.

 

Quem nos diz isso é Mónica Baltodano, comandante da FSLN responsável pela libertação de importantes cidades da Nicarágua entre 1978 e 1979, quando o famoso movimento guerrilheiro derrotou a sanguinária ditadura de Anastasio Somoza, que perdurava por mais de 40 anos.

 

“Acreditamos que o respaldo que Ortega ainda recebe, mesmo que pelo silêncio, de esquerdas de outros países, segue sendo um ponto a seu favor. Ainda que não haja uma manifestação contundente dos partidos e dos governos de esquerda, ele sente que pode navegar fraudando o discurso de que é um paladino contra o imperialismo.

 

É fundamental que as esquerdas internacionais condenem, de forma clara, o regime de Ortega como um regime criminoso e antidemocrático. Só colocando-o contra a parede é que o fará ceder e abrir espaço para uma transição. A história já nos mostrou isso. Foi assim que derrotamos Somoza.

 

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Em 1978 a Organização dos Estados Americanos rompeu com Somoza e o ditador passou a ser um pária. A vitória do sandinismo em 1979 nunca foi resultado das armas. Nunca tivemos a maioria das armas. Nossa vitória foi o resultado da somatória de apoio popular, da guerrilha e de um amplo isolamento internacional do regime”, avaliou.

 

Fonte: Revista Fórum

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