Acusação da PGR será agora analisada por ministros do STF; deputado considera que fala está protegida por imunidade parlamentar
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-DF) rejeitou uma proposta de acordo apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito no qual ele foi denunciado por injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com a recusa, a denúncia continuará tramitando normalmente. A acusação será analisada pela Primeira Turma do STF, que decidirá se há elementos suficientes para tornar Nikolas réu e abrir uma ação penal.
Nikolas foi denunciado no mês passado pela PGR, por ter chamado Lula de "ladrão que deveria estar na prisão", em um evento no ano passado. A PGR sugeriu, no entanto, a possibilidade de um acordo de transação penal, quando o acusado aceita cumprir certas medidas, em troca do arquivamento do processo.
Veja também

Tarcísio diz que ''seria um desastre'' ter um prefeito ligado ao crime
Ação que pode derrubar candidatura de Pablo Marçal está parada no TSE
Uma audiência foi realizada no dia 14 agosto, mas Nikolas informou que esperaria um parecer da Procuradoria da Câmara. Nesta terça-feira, o deputado afirmou ao STF que a avaliação do órgão foi de que a declaração está protegida pela imunidade parlamentar, e acrescentou que essa é a mesma posição da sua defesa.
"Diante dos argumentos fáticos e jurídicos delineados no referido parecer técnico, bem como por estarem em absoluta consonância com entendimento da defesa técnica do parlamentar, mui respeitosamente, razão outra não assiste ao congressista, senão recusar a proposta feita na última assentada e aguardar o trâmite natural da marcha processual", afirmou o parlamentar.
A declaração de Nikolas ocorreu em novembro do ano passado, durante evento realizado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), mas sem relação com a entidade. Na fala, ele mencionou um suposto apoio a Lula da ativista ambiental Greta Thunberg e do ator Leonardo Di Caprio.
— Isso se encaixa perfeitamente com Greta e Leonardo Di Caprio, por exemplo, que apoiaram o nosso presidente socialista, chamado Lula, um ladrão que deveria estar na prisão.
Para o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, a declaração não deve ser protegida pela imunidade parlamentar, porque não tinha relação com o mandato.
"Não havia, no contexto da referência depreciativa feita pelo denunciado ao presidente da República, nenhuma possível correlação com o exercício do mandato parlamentar. O que se evidenciou foi a clara intenção de macular a honra da vítima", escreveu Chateaubriand Filho.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O crime de injúria prevê pena de um a seis meses de detenção (quando não há regime fechado) ou multa. A PGR, no entanto, solicitou que sejam aplicados três agravantes de pena, pelo crime ter sido cometido contra o presidente da República, contra pessoa maior de 60 anos e por ter sido divulgado em redes sociais.
Fonte: O Globo