Uma nova modalidade golpe do Pix, que mistura o terror e a contravenção, foi registrada nas últimas semanas em São Paulo, Santa Catarina e Rondônia. Trata-se da exigência de transferência, via Pix, de uma quantia de dinheiro sob a ameaça de ataques a tiros e massacres em instituições de ensino privadas. A abordagem é realizada através de ligação telefônica anônima.
Funciona da seguinte maneira: o telefone toca na secretaria de uma escola e o funcionário atende. Do outro lado da linha, o golpista pede urgência e anuncia que tem um grupo de homens armados no entorno da instituição e que, caso um determinado valor não seja depositado, via Pix, à chave indicada, a quadrilha faria disparos contra a escola, para em seguida invadi-la.
Foi exatamente o que aconteceu na manhã de quinta-feira, 2 de março, em uma pequena escola particular de Perdizes, na zona oeste de São Paulo. O coordenador geral da escola, Rafael dos Santos Martins, contou ao Uol que o autor da ligação se irritou com a recusa da instituição em realizar o depósito e desligou o telefone antes de revelar quaisquer valores solicitados ou a própria chave para o pix.
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“Policiais que atenderam nosso chamado contaram que no mesmo dia outros comércios da região receberam ameaças semelhantes”, revelou. A escola não foi atacada.
A mesma reportagem traz a avaliação da advogada Maria Tereza Grassi Novaes, da Comissão de Advocacia Criminal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo. Para a especialista, trata-se de uma variação do golpe do Pix. O original é bem parecido. Mas ao invés de se ameaçar um ataque a tiros a uma escola, simula-se um suposto sequestro de parente do alvo.
A nova variação já foi registrada em Santa Catarina e em Rondônia, além de São Paulo. Mas ao contrário da escola de Perdizes, a proprietária de uma academia de dança de Florianópolis cedeu aos golpistas e transferiu dinheiro para suas contas após ameaças de que, caso contrário, os alunos seriam feitos reféns.
Para a advogada, a preocupação com a ameaça é compreensível, uma vez que episódios de massacres escolares tornaram-se comuns no Brasil. Ao todo, o país já registrou 12 ataques dessa natureza. O primeiro, e único fora do contexto da ascensão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto que trouxe consigo uma facilitação do acesso a armas, foi o Massacre de Realengo, no subúrbio do Rio de Janeiro, em 2011, que deixou 12 mortos e 13 feridos. O último registrado foi em Aracruz, no Espírito Santo, por um jovem identificado como neonazismo.
A advogada destacou que nenhum desses casos esteve relacionado a golpes financeiros. E levando isso em consideração, aponta que “não há elementos para afirmar que as escolas devam temer a possibilidade real de que esse golpe escale para uma coisa mais grave”.
Em troca, ela orienta as escolas a gravar as ligações, anotar os números e denunciar o quanto antes à polícia e à própria segurança da instituição. Também destaca que é importante que haja um rigoroso controle de quem entra e sai das instalações, para evitar a presença de pessoas estranhas à comunidade escolar, que envolve alunos, pais, funcionários e professores.
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“A escola deve sempre priorizar a transparência com os alunos e seus responsáveis, informando-os abertamente sobre o ocorrido e comunicando-os das medidas de segurança que serão adotadas”, concluiu.
Fonte: Revista Fórum