Naim Qassem advertiu que Israel pagaria preço alto se suas forças permanecessem no Líbano; Exército israelense alega ter matado número dois da força de elite do grupo libanês
O novo líder do Hezbollah, Naim Qassem, disse nesta quarta-feira que manteria a estratégia de guerra estabelecida por seu antecessor, Hassan Nasrallah, que foi morto pelas forças israelenses no mês passado após o início de combates em grande escala.
Ele também advertiu que Israel pagaria um preço alto se suas forças permanecessem no Líbano, enfatizando que o grupo estava pronto para um conflito prolongado, apesar de concordar com um cessar-fogo sob condições "adequadas".
— Meu programa de trabalho é uma continuação do programa de trabalho de nosso líder, Sayyed Hassan Nasrallah — declarou Qassem em seus primeiros comentários como líder do Hezbollah, prometendo continuar com "o plano de guerra que ele [Nasrallah] desenvolveu com a liderança" do grupo apoiado pelo Irã.O discurso foi interrompido no meio da transmissão. Relatórios no Líbano suspeitam que um ataque cibernético seja o responsável.
Veja também

Israelenses dizem ter matado vice-comandante de forças do Hezbollah
Argentina amanhece parada, em meio a greve nacional dos transportes
— Se os israelenses decidirem que querem parar a agressão, diremos que aceitamos, mas nas condições que considerarmos apropriadas e adequadas — retomou Qassem após queda no sinal. — Até o momento, nenhuma proposta aceitável para Israel e adequada para nós foi apresentada para discussão.
Ex-número 2 do Hezbollah, Qassem foi nomeado líder do grupo na terça-feira, após a morte de Hassan Safieddine, líder do conselho que era apontado como o sucessor de Nasrallah. Em seu discurso pré-gravado, o novo líder se referiu a essas morte como "dolorosos golpes de Israel", mas disse que o movimento libanês já “começou a se recuperar" e está "preenchendo cargos vagos, nomeando líderes alternativos e trabalhando para organizar tudo”.
— Saia de nossa terra para reduzir suas perdas. Se ficarem, pagarão mais do que jamais pagaram em suas vidas — advertiu Qassem, afirmando que o grupo tem capacidade para manter o conflito "por dias, semanas e meses" e que o Hezbollah está lutando contra Israel para defender o território libanês, e não como resultado de influência estrangeira. — [Não estamos ] lutando em nome de ninguém. [O Irã] nos apoia, mas não quer nada [em troca].
O Exército israelense, por sua vez, anunciou ter matado o número dois da força de elite do Hezbollah, Mustafa Ahmad Shahadi, em um bombardeio na área ao redor de Nabatieh, no sul do Líbano.
"Em um ataque liderado pelos serviços de inteligência, a Força Aérea israelense atingiu e eliminou Mustafa Ahmad Shahadi, vice-comandante das Forças al-Radwan do Hezbollah, na área de Nabatieh", afirmou o Exército em um comunicado nesta quarta-feira. "Mustafa Ahmad Shahadi preparou inúmeros ataques terroristas contra o Estado de Israel."
De acordo com o Exército, a força de elite do Hezbollah tinha "o objetivo de se infiltrar no território israelense e ocupar áreas perto da fronteira norte" de Israel. O comandante das Forças al-Radwan, Ibrahim Aqil, morreu em 20 de setembro em um bombardeio israelense na periferia sul de Beirute.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Qassem, de 71 anos, fez parte dos fundadores do Hezbollah em 1982 e era vice-secretário-geral da formação político-militar desde 1991, um ano antes de Nasrallah assumir o controle. Ele nasceu em Beirute em 1953, no seio de uma família da cidade de Kfar Fila, na fronteira com Israel.
Fonte: O Globo