Líderes governistas na Câmara e no Senado disseram ao presidente que ele deve escolher as brigas nas quais entrar
Lula foi aconselhado por líderes governistas na Câmara e no Senado a esperar a decisão final dos deputados federais na nova votação do projeto que lei que restringe as chamadas “saidinhas" de presos em datas como feriados e festividades antes de decidir se vai ou não vetá-lo.
O presidente ouviu dos aliados mais uma opinião: É preciso “escolher as brigas” em que ele e o governo vão entrar.
Isso porque Lula interpôs sucessivos vetos a projetos que tiveram ampla aprovação nas duas Casas, muitos dos quais foram derrubados posteriormente. Outros, como o que cortou R$ 5,6 bilhões em emendas ao Orçamento, ainda são foco de intensa batalha de bastidores e podem ter o mesmo destino.
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No caso da segurança, os líderes apresentam razões adicionais para que Lula não entre nessa bola dividida: já existe, disseminada pela direita bolsonarista, uma visão segundo a qual o governo, o presidente e o PT seriam condescendentes, quando não aliados, de “bandidos" e até de facções criminosas.
Essa visão mais conspiracionista tem adesão no segmento mais radicalizado da sociedade, mas mesmo entre eleitores eventuais de Lula ou do PT existe outra mais branda, a de que a esquerda não olha o tema da segurança pública do mesmo modo que a população, que é bem mais disseminada.
A ideia segundo a qual é preciso “escolher" as brigas pautou a estratégia governista na votação do projeto das saidinhas no Senado: a maioria dos senadores do PT e da esquerda votou a favor da matéria, esvaziando a estratégia bolsonarista de fustigar o Planalto e Lula com o tema, logo depois da fuga de dois presos no presídio federal de Mossoró (RN).
O líder do PT no Senado, Fabiano Contarato (ES), chegou até a apresentar emendas para ampliar a restrição às saidinhas para presos por atentar contra a democracia, obrigando o relator, Flávio Bolsonaro, a se posicionar contrariamente — invertendo o ônus da pecha de que “protege" quem pratica atos ilícitos.
Para esses conselheiros, Lula deve deixar a contestação do fim do benefício aos presos para as entidades de direitos humanos que lidam com a questão carcerária, que certamente vão arguir a inconstitucionalidade da lei junto ao Supremo Tribunal Federal.
Os ministros palacianos simpatizam com esse encaminhamento para a decisão de vetar ou não, mas Lula sofrerá grande pressão da base de esquerda, do PT e de partidos aliados, e também dos ministérios de Direitos Humanos e da Justiça, que defendem o veto à proposta.
Outra alegação de quem prefere ver o presidente longe de mais esse tema desgastante é que a questão da segurança pública, mesmo não sendo tema municipal, será a principal pauta da eleição para prefeitos este ano.
Os candidatos do PT já terão de lidar com o discurso da direita descrito acima. Mais essa máxima, a de que Lula permitiu a “saidinha" que tem resultado em fugas e até em mortes de inocentes por parte de detentos que não regressam ao sistema prisional, seria fatal para muitos candidatos apoiados pelo presidente em grandes centros urbanos, principalmente.
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Falei a esse respeito no Viva Voz, meu programa diário em dois horários na rádio CBN. Você ouve o comentário abaixo.
Fonte: O Globo