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O negacionismo da direita marca os 50 anos de golpe sangrento no Chile
Foto: Reprodução

Direita chilena vive um retrocesso; já houve tempo em que os direitistas democráticos reconheceram os crimes da ditadura de Pinochet

Há 50 anos, em 11 de setembro de 1973, o Chile vivia o golpe militar do general Augusto Pinochet, que implementou um regime terrível cujos crimes se estenderam até 1990.

 

Meio século depois, há uma onda de negacionismo na América Latina e vive-se no Chile retrocesso, com a direita, que por muitos anos admitiu os erros da ditadura, em uma fase em que prefere mentir sobre fatos históricos.

 

José Antonio Kast, que foi candidato à presidência e perdeu as eleições para Gabriel Boric, soltou uma nota negando que tenha havido um golpe, e dizendo que o que houve de errado foi culpa de todos os chilenos.

 

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É um país dividido, com Boric organizando uma comemoração do fim da ditadura ao lado de Michelle Bachelet, e do outro a direita mentindo sobre fatos históricos.

 

É dramático que a esta altura a América Latina se veja dividida por uma onda da extrema-direita, corrente que está bem posicionada e que avança sobre vários países, inclusive a Argentina, onde haverá eleições presidenciais no final do ano.

 

É por isso que é importante lembrar o que foi o golpe no Chile. O 11 de setembro de 1973 foi um dia apavorante para quem era jovem e tinha uma visão política contrária às ditaduras militares da direita que dominavam a América Latina.

 

Foi especialmente terrível porque o Chile era considerado um oásis, um país em que tinha forças armadas democráticas e que era um abrigo para muitas pessoas de esquerda. O atual senador José Serra, por exemplo, estava no exílio no país, assim como o sociólogo Betinho. Cito os dois como exemplo do tipo de pessoa que as ditaduras ameaçavam, simplesmente jovens que queriam influenciar nas políticas públicas.


Na época, o comandante chefe das forças armadas chilenas era o general Carlos Prats, um legalista, e abaixo dele estava Augusto Pinochet, que também se declarava legalista. Mas Prats foi obrigado a renunciar ao cargo por pressão dos próprios militares, e Pinochet assumiu o comando do exército.

 

Após somente 18 dias no cargo, comandou o mais sangrento golpe de estado. Foi algo terrível, com jovens colocados amontoados no estádio nacional do Chile, e um regime que terminou com mais de 3 mil mortos e 40 mil pessoas atingidas por torturas e prisões.

 

Serra conseguiu fugir e pedir asilo em uma embaixada, e depois da redemocratização tornou-se um políticos com muitos serviços prestados ao país, tendo sido inclusive um excelente ministro da Saúde do Brasil. Betinho também conseguiu asilo na embaixada do Panamá, voltou ao Brasil com a anistia, fazendo tanto bem ao país com suas ações de cidadania que são mantidas até hoje. Exemplos de brasileiros dedicados a políticas públicas que conseguiram escapar da polícia de Pinochet.

 

Prats, o general legalista que foi viver em Buenos Aires, se tornou mais uma vítima do regime ditatorial de Pinochet. Ele e a esposa morreram em um atentado a bomba cometido pela polícia secreta do ditador na capital argentina em 1974.

 

A direita defende que a ditadura de Pinochet modernizou o Chile. Mas o fato é quequando esse período sombrio acabou, quase 40% dos chilenos estavam abaixo da linha da pobreza. Essa modernização foi para quem?

 

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É a mesma pergunta que deve se fazer sobre o milagre econômico brasileiro. Foi milagre para quem? Essa data é triste principalmente pelo fato de o Chile estar em pleno revisionismo histórico, com negacionismo da direita sobre os crimes que a direita cometeu. 

 

Fonte: O Globo

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