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O que aconteceu com o estudante de Medicina que matou três pessoas durante sessão de 'Clube da Luta' no Shopping Morumbi?
Foto: Reprodução

Aquela sessão de "Clube da Luta", filme dirigido por David Fincher com os astros Brad Pitt e Edward Norton, tinha começado às 21h15 numa sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo.

 

Quinze minutos após o início, o estudante Mateus da Costa Meira, de 24 anos, que cursava Medicina na Santa Casa de Misericórdia, levantou-se da poltrona e foi até o banheiro, onde tirou de dentro de sua bolsa uma submetralhadora americana Cobray M11 e disparou uma vez contra sua imagem no espelho. Depois, voltou à sala e, naquele dia 3 de novembro de 1999, há 25 anos, começou um massacre.

 

O espaço tinha capacidade para 140 espectadores, mas, como era uma noite de dia útil, após o feriado do Dia dos Mortos, apenas 29 pessoas assistiam ao filme. Mateus entrou na sala por uma porta do lado direito da tela, andou até a quarta fileira e começou a atirar. Foram 40 disparos.

 

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A submetralhadora usada na chacina em sala de cinema do Morumbi Shopping — Foto: José Luiz da Conceição/Agência O GLOBO

 

O criminoso só parou quando, ao recarregar sua arma, foi imobilizado por seguranças e espectadores. Sete pessoas foram atingidas. O economista Julio Zemaitis, de 29 anos, a publicitária Hermé Luísa Jatobá, de 46, e a fotógrafa Fabiana Lobão, de 25, morreram. Os demais ficaram feridos, mas sobreviveram.

 

O publicitário Renato Lucena, de 24 anos, jogou-se no chão quando percebeu que os tiros eram reais, e não parte do filme. Ele ficou deitado e, quando Mateus, parou pra recarregar sua arma, Lucena foi pra cima do assassino. "Eu dei uma gravata no cara, mas ele nem reagiu, ficou com o corpo mole. Só murmurou pedindo pra eu sair de cima", contou o publicitário ao GLOBO. O contínuo Miguel Beltran disse que demorou a entender o que acontecia e foi salvo porque Fabiana Lobão o empurrou para o chão. "Quando vi o sangue na minha calça, achei que tinha sido atingido, mas era dela", relatou.

 

Na delegacia, durante um depoimento de mais de três horas, Mateus disse que era esquizofrênico e que ouvia vozes dizendo que iam matá-lo. No apartamento dele, no bairro de Santa Cecília, a polícia achou mais de 300 projéteis calibre 9mm para submetralhadora, além de 37 papelotes de cocaína, sendo que 33 haviam sido consumidos. A arma havia sido comprada de um mecânico que trabalhava como motorista do estudante. Marcos Almeida, de 25 anos, tinha passagem na polícia por porte ilegal de arma e tráfico de drogas. Ele foi preso em flagrante a autuado como co-autor da chacina.

 

Mateus nasceu em Salvador e morava sozinho em um apartamento confortável na capital paulistana custeado pelos pais, que viviam na Bahia. Ele estava no último ano da Faculdade de Medicina. Descrito como introvertido, com desempenho acadêmico fraco, o assassino havia sido internado numa clínica psiquiátrica durante 11 dias, até receber alta em 20 de outubro daquele ano, menos de duas semanas antes do massacre no cinema. O psiquiatra de Mateus acompanhou o depoimento dele na delegacia, e a sua defesa pediu exames para determinar se o criminoso podia ser considerado inimputável.

 

Desde o início das investigações, o Ministério Público e a Polícia Civil garantiam que Mateus, apesar de sofrer de problemas psicológicos, tinha plena consciência do que estava fazendo quando comprou a arma e executou a chacina. Essa impressão foi confirmada pelo psiquiatra do assassino. Segundo ele, o estudante tinha mesmo transtorno de personalidade esquizoide, com tendência a isolamento social e predisposição a surtos quando estivesse sob efeito de entorpecentes. Mas o médico também disse que seu paciente tinha consciência dos seus atos e podia responder pelo crime.

 

O argumento da defesa, de que o réu era semiimputável, ou seja, podia responder apenas parcialmente por seus atos, não foi acolhido pelo júri em um primeiro julgamento. Por conta disso, em 2004, ele foi condenado a 120 anos de prisão. Mais tarde, a sentença foi reduzida para 58 anos. Em 2009, quando cumpria a sentença na Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador, Mateus tentou matar um colega de cela com uma tesoura. A vítima foi ferida na cabeça sem gravidade.

 

Sala de cinema onde estudante matou três pessoas, no Morumbi Shopping, em 1999 — Foto: Helcio Toth

Fotos:Reprodução

 

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Em 2011, após um pedido da Promotoria e da defesa do baiano, a 1ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador considerou Mateus inimputável. Desde então, ele vinha sendo mantido no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Salvador, por meio de uma medida de segurança. Em setembro deste ano, após quase 25 anos de reclusão, o ex-estudante foi libertado depois que novos exames indicaram que ele não representava mais um perigo para a sociedade. Mateus, porém, deve seguir o tratamento psiquiátrico e obedecer a uma série de regras, como o recolhimento noturno. 

 

Fonte: O Globo

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