Os economistas concordam que o consumo deve continuar em alta e, com ele, o risco de inflação
No entanto, economistas alertam que esse ritmo de crescimento com demanda aquecida pode pressionar ainda mais a inflação, o que exigiria aumento maior dos juros pelo Banco Central para “esfriar” a atividade e, assim, segurar os preços.
A este cenário, somam-se as preocupações em torno do ajuste fiscal, já que a reação negativa do mercado ao pacote de corte de gastos levou o dólar ao patamar de R$ 6, outro fator de pressão sobre os índices de preços.
A taxa básica de juros (Selic) começou a subir em meados de setembro e, portanto, teve pouco impacto nos resultados do terceiro trimestre. Nesse período, o consumo das famílias avançou 1,5% ante o segundo trimestre (a 13ª alta seguida nessa comparação) e saltou 5,5% em relação ao período de julho a setembro do ano passado.
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Nesse último tipo de comparação, já são 14 trimestres seguidos de alta, na maior sequência desde o ciclo de ampliação do poder de compra das famílias que durou mais de uma década, de 2003 até 2014, mostram os dados do IBGE.
E DAQUI PRA FRENTE?
Mas o que o PIB do terceiro trimestre diz sobre a saúde da economia brasileira e o que pode estar por vir? Os economistas concordam que o consumo deve continuar em alta e, com ele, o risco de inflação. — Continuamos com vários efeitos positivos no consumo das famílias — observou ontem a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
No ciclo mais recente, o impulso ao consumo das famílias veio de uma combinação de fatores, começando pelo mercado de trabalho forte, com a taxa de desemprego nos menores patamares desde o início da série, e o rendimento em alta.
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Soma-se a isso o aumento nas transferências de renda do governo — o Bolsa Família está completando o segundo ano com valor maior do benefício mínimo, enquanto a Previdência é influenciada pelos reajustes maiores do salário mínimo. O crédito avançou 10,5% na comparação com o terceiro trimestre de 2023, sem descontar a inflação.
Fonte: O Globo