As primeiras expedições documentadas à Antártida datam do começo do século XVI, mas só no comecinho do século XX que os exploradores enviados pela Grã-Bretanha se dedicaram a realmente conquistar o território do Polo Sul, durante a Segunda Guerra Mundial.
Embora nomes de exploradores importantes tenham ficado marcados para sempre na história da humanidade, como Ernest Henry Shackleton, Roald Amundsen e Robert Falcon Scott, eles não teriam alcançado seus objetivos sem a ajuda dos cães de trenó.
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EXPLORADORES DE QUATRO PATAS

Em 1911, Amundsen percorria as terras geladas da Antártida em seu trenó puxado por diversos cachorros. Ele e os demais exploradores não dispunham de equipamentos tecnológicos como motos de neve ou aeronaves capazes de atuar em condições tão hostis como as do Polo Sul, então os cães eram essenciais para auxiliar no transporte de equipamentos e pessoas em trenós.
Os animais eram tão importantes para os grupos de exploração que eram tidos como recursos de valor incalculável, dado que sem sua ajuda todo o projeto de mapeamento e conquista do local seria praticamente em vão — ou, pelo menos, seria bastante impactado pela maior dificuldade de mobilidade.
Anos depois, em 1945, a primeira comunidade de cães de trenó chegou ao local, contando com 25 huskies vindos da província de Labrador, no Canadá. Ao longo dos anos, mais e mais cãezinhos foram chegando à base britânica no Polo Sul para auxiliar o também canadense Andrew Taylor, que na época atuava como comandante da base. Além dos doguinhos trazidos de longe, também era comum o cruzamento entre os animais lá mesmo, com ninhadas nascendo nas bases britânicas.
PERSONALIDADE DE SOBRA

Justamente por serem tão importantes para a iniciativa, cada cãozinho tinha sua própria ficha de registro com seu próprio nome, sexo, data de nascimento, identificação de seus pais, histórico médico e algumas de suas principais características e personalidades, fossem elas boas ou ruins.
Estes registros vinham geralmente acompanhados de fotos dos animais — ou de desenhos que ajudassem a reconhecer as marcas em sua pelagem — e estão disponíveis até hoje no escritório do British Antarctic Survey em Cambridge, na Inglaterra.

Uma olhadinha nessas fichas mostra as principais características que os exploradores buscavam nos cães de trenó (e também as que não eram exatamente ideais). Por exemplo, o cãozinho Guinness recebeu em sua ficha diversas atualizações sobre seu desempenho em campo, com elogios como "bom trabalhador", "bom físico" e "personalidade agradável" sendo alguns de seus principais pontos altos.
O ponto alto da carreira de Guinness, que infelizmente morreu em um acidente em 1966, deve ter sido quando foi reconhecido como "o cão ideal," sem nunca ter recebido sequer uma queixa registrada no campo de características – descanse em paz, peludinho, você parece mesmo ter sido um ótimo garoto.
Outros, como o cão Joseph, também receberam bastantes elogios — mas não foram pareciam tão perfeitos para o papel quanto Guinness. Por exemplo, em sua ficha é possível ver que ele tem bons traços, bom porte e é capaz de trabalhar bem constantemente. Mas tinha um porém: o doguinho se distraía facilmente com focas e outros animais encontrados no caminho.
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Os registros mostram informações de diversos cachorros que trabalharam a serviço da Grã-Bretanha entre os anos de 1945 e 1994, quando o uso de cães foi banido pelo Protocolo de Madri. Porém, as histórias de Guinness, Joseph e vários outros exploradores de quatro patas permanecem registradas em diversas fichas com fotos de adoráveis cãezinhos, guardadas em um armário dedicado no escritório do British Antarctic Survey.
Fonte: Mega Curioso