Presidente abre espaço para novos quadros da esquerda, mas se mantém na linha de poder ao não descartar reeleição
Lula deu dois sinais que se neutralizam ao ser questionado em entrevista à Rádio CBN sobre a disputa à presidência em 2026. De um lado, o presidente destacou que tem muita gente boa em seu grupo político, o que estimula outros possíveis presidenciáveis e a expectativa de uma sucessão na linha de comando do seu grupo político, desenhando um cenário em que outros quadros dentro do campo da esquerda podem surgir. Por outro lado, ele disse, que se houver risco de 'trogloditas' voltarem ao poder, seria candidato.
— Não quero discutir eleição e reeleição porque eu tenho apenas um ano e sete meses de mandato, quero cumprir aquilo que eu prometi ao povo brasileiro. Quando chegar o momento de discutir, tem muita gente boa para ser candidato, não preciso ser candidato. Agora, presta atenção no que eu vou te falar, se for necessário ser candidato para evitar que os trogloditas que governaram voltem a governar, pode ficar certo que meus 80 anos virarão em 40 e eu poderei ser candidato — afirmou Lula.
O poder se alimenta do futuro do poder. Quando o mundo político acha que alguém é carta fora do baralho, que não vai ter poder no futuro, naturalmente as forças vão se organizando em torno dos possíveis novos poderosos. É assim na política em geral.
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Por isso é que no campo da direita, mesmo com o ex-presidente inelegível, toda hora aparece alguma coisa relacionada a ele. Pode haver uma anistia, pode ser que ele volte.
Ao se colocar como o futuro, Lula mantém o governo dele como ponto de atração e reduz a tensão entre possíveis sucessores seus até a hora em que vá tomar decisão.
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Lula é um animal político, e ele fez o jogo. Mas talvez fosse melhor ter terminado a resposta na primeira parte, quando disse ser "candidato a fazer um bom governo", lembrando que tem apenas um ano e sete meses na presidência, ou seja, ainda tem muita coisa a fazer.
Fonte: O Globo