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Os vários impactos da vitória de Trump
Foto: Reprodução

A agenda antidemocrática e o negacionismo climático de Donald Trump afetarão a vida do mundo de diversas formas

Não há lugar longe dos Estados Unidos. O que o governo Donald Trump fizer repercutirá na vida do mundo. Seu projeto econômico, de comércio exterior e migratório é inflacionário e terá que ser enfrentado com taxa de juros.

 

Na política, Trump tem uma agenda antidemocrática e isso afetará os países de inúmeras formas. Sua proposta de aumentar a exploração de petróleo e seu negacionismo climático terão inúmeras consequências, a mais imediata será esvaziar os esforços brasileiros por um aumento das ambições dos países na COP30.

 

Até a reunião de cúpula do G20, sob a presidência do Brasil, ficará enfraquecida dado que há pouco o que os Estados Unidos de Joe Biden podem oferecer.O Brasil está às voltas com vários problemas. Ontem, o Copom elevou a taxa de juros em 0,50 ponto percentual. Acelerar o aperto da política monetária era esperado porque a inflação tem trazido dados bem piores nas últimas medições. A alta do dólar adiciona pressão maior.

 

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O governo vai anunciar, a qualquer momento, um conjunto de medidas para tentar ajustar as contas públicas. Foi pensado para aplacar a instabilidade do mercado financeiro, mas também porque é necessário.

 

O governo bolsonarista entregou dados fiscais manipulados e um teto furado. Foi preciso modelar outro mecanismo de limitação de gastos, o arcabouço, e ele só será sustentável se forem feitas mudanças estruturais que o país necessita há muito tempo. Só que agora o cenário econômico global vai piorar.

 

Na economia, a promessa de Donald Trump é reduzir impostos dos mais ricos e impor tarifas mais altas para todos os parceiros, altíssimas para a China. Isso eleva o custo de produção e de produtos importados, ou seja, mais inflação. Se ele cumprir a ameaça de deportação em massa de imigrantes sem documentos, a inflação de serviços vai subir.

 

Os juros americanos, que estão caindo, podem cair menos e, eventualmente, subir, o que afetará os fluxos globais de capital. Nessa expectativa é que o dólar subiu ontem no começo do dia, ainda que com o tempo tenha cedido. Apesar dos anabolizantes dados pelo governo, a China está em desaceleração e terá mais dificuldades de retomar o ritmo. E isso atinge o Brasil, já que o país asiático é nosso maior parceiro comercial.

 

O pior risco é institucional. “América fez uma escolha perigosa” , alertou o editorial do jornal The New York Times. “Não há ilusão sobre quem é Donald Trump e o que ele pretende no governo.” O jornal escreveu que os democratas, ou alguma institucionalidade, defendam que ao menos os cargos de secretário da Defesa e de procurador-geral sejam ocupados por pessoas qualificadas.

 

Donald Trump com maioria no Senado, talvez também na Câmara e com maioria conservadora na Suprema Corte terá muito mais possibilidades de aprovar suas propostas, inclusive as que afetam até a sagrada primeira emenda. Já fez ameaças diretas a jornalistas. Ontem de madrugada, no discurso da vitória, elogiou o vice J.D. Vance porque ele “gosta da luta, entra no campo do inimigo”, referindo-se às entrevistas que ele deu a órgãos de imprensa como a CNN.

 

O mundo já vive uma ameaça existencial com a aceleração do aquecimento global e seus desastres extremos. O ano tem dito isso ao planeta de forma violenta. No discurso como eleito, Trump chamou o petróleo de “líquido de ouro” e disse que aumentará a exploração porque “temos mais que a Arábia Saudita, mais que a Rússia, que qualquer país”.

 

Além de elevar o uso e produção de combustíveis fósseis, é de se esperar que os Estados Unidos saiam do Acordo de Paris e minem qualquer esforço global de conter a mudança climática. A COP30 em Belém pode não ter o maior poluidor do planeta sentado na mesa.

 

Seu encantamento por Elon Musk, pessoa sobre a qual mais falou no discurso da vitória, dá vários sinais. A promiscuidade entre o poder e a empresa vai se aprofundar. “Temos que proteger nossos gênios, não temos muito deles”, disse Trump. Fica também mais difícil a regulamentação das mídias digitais por onde trafegam as fake news tão utilizadas pela extrema direita.

 

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O NYTimes acha que sua agenda antidemocrática está evidente, mas avalia que ele será um “lame duck” porque não poderá concorrer a outro mandato, o que permitiria alguma reação. Na verdade, exatamente porque o tempo correrá contra ele, Trump queira usar os dois primeiros anos para avançar rapidamente em seu projeto de demolição institucional. 

 

Fonte: O Globo

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