Presidente do Senado chamou fala de petista de equivocada e que não representa o verdadeiro propósito de Lula um líder global conhecido por estabelecer diálogos
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), cobrou uma retratação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por sua fala comparando os ataques de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto, o extermínio de judeus, pelos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial. Como resposta, o governo israelense declarou Lula persona non grata.
— Estamos certos de que essa fala equivocada não representa o verdadeiro propósito do presidente Lula, que é um líder global conhecido por estabelecer diálogos e pontes entre as nações, motivo pelo qual entendemos que uma retratação dessa fala seria adequada, pois o foco das lideranças mundiais deve estar na resolução do conflito entre Israel e Palestina — afirmou Pacheco no plenário do Senado, nesta terça-feira.
A fala de Lula gerou uma crise diplomática entre Brasil e Israel. Foi chamada de "vergonhosa" pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Na segunda-feira, o embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer, foi convocado para uma reunião no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Ao lado de Meyer, o chanceler israelense fez uma declaração à imprensa em hebraico, após o encontro, com intérprete.
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No discurso, Pacheco disse que o Senado repele reações desproporcionais e o uso de violência irracional que tenham ocorrido ou estejam ocorrendo na Faixa de Gaza, durante a contraofensiva israelense.
— Contudo, não podemos compactuar com as afirmações que compararam a ação militar que está ocorrendo na região neste momento com o Holocausto, o genocídio contra o povo judeu perpetrado pelo regime nazista na Segunda Guerra Mundial— disse Pacheco.
O discurso de Pacheco foi aplaudido pela oposição, mas causou forte reação no senador Omar Aziz (PSD-AM), filho de palestino.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve ir à Comissão de Relações Exteriores do Senado prestar esclarecimentos sobre a crise entre Brasil e Israel, na primeira semana de março, segundo o presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL).
“Convidei o chanceler Mauro Vieira para ir à CRE do Senado debater a crise com Israel, responder indagações e dúvidas. O ministro, como sempre, se prontificou a ir já na primeira semana de março, em virtude das agendas do G-20 e outros compromissos internacionais”, publicou Calheiros nas redes sociais.
Oposicionistas apresentaram um pedido de impeachment, que ganhou fôlego também entre integrantes de partidos que ocupam ministérios na Esplanada. Vinte deputados de União Brasil, PP, Republicanos e PSD haviam assinado a peça até a noite de ontem.
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Apesar se serem de siglas que têm espaço no governo, com oito ministérios, esses parlamentares se alinham à oposição na hora de votar. Até ontem à tarde, 91 deputados haviam assinado o pedido.
Fonte: O Globo