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Pará usa até camburão do Bin Laden contra crime ambiental
Foto: Reprodução

A viatura policial passa batido aos olhos dos leigos. A diferença é que, aberta a porta traseira, o acesso ao compartimento de carga é protegido por cadeado.


Caixas de madeira protegem o conteúdo sigiloso. São cargas de explosivo tão poderosas que poderiam mandar pelos ares todo um comboio policial. “Camburão de bin Laden”, foi como se referiu à viatura um agente.

 

Há cargas e pavios de vários tamanhos. O transporte segue um rigoroso protocolo da Secretaria de Segurança Pública do Pará. Ainda assim, nos deslocamentos, o “camburão do bin Laden” mantém uma distância mínima de 500 metros dos demais veículos.

 

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“Se explodir, só morremos nós quatro”, diz jocosamente o especialista em explosivos que é um dos integrantes da guarnição. Por segurança, o explosivista carrega os estopins separadamente, no próprio corpo.Em sua campanha para perder o título de campeão do desmatamento no Brasil, o governo do Pará tomou uma decisão audaciosa.


Em situações extraordinárias, vai adotar as mesmas regras do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais, o IBAMA, que obedece à legislação federal.

 

Se for impossível retirar as máquinas que promovem o desmatamento ou o garimpo ilegais, elas poderão ser detonadas em plena selva.

 

Por isso, na Operação Curupira, recém-lançada pelo governo paraense, o “camburão do bin Laden” estará sempre lá.Trata-se de uma ação permanente que envolve as polícias civil, militar, científica, os bombeiros, a Defesa Civil, a Agência de Defesa Agropecuária do Pará, as secretarias de Administração Penitenciária e Fazenda — sob comando das secretarias de Segurança Pública e de Meio Ambiente e Sustentabilidade.

 

A ação, inédita, não tem prazo para acabar. Ela vai focar em 15 municípios do Pará nos quais o governador Helder Barbalho decretou emergência ambiental.

 

A ação coincide com o convite feito ao governador pelo rei Charles III, do Reino Unido, para uma visita ao Palácio de Buckingham nesta sexta-feira (17), durante a qual serão discutidas questões relativas à preservação ambiental na Amazônia.

 

O plano do governo paraense, que começou a ser colocado em prática nesta quarta-feira (15) em São Félix do Xingu, tem como foco reduzir o desmatamento e o garimpo na chamada Terra do Meio, que reúne área de preservação ambiental, floresta estadual, reservas extrativistas, parque nacional, estação ecológica e terras indígenas em territórios banhados pelos rios Xingu e Iriri.

 

Porém, autoridades do governo paraense só podem atuar diretamente em 25% do território do Estado, já que os outros 75% são terras da União.

 

Apesar da presença do “camburão do bin Laden”, ele só será acionado em casos extraordinários.

 

O secretário adjunto de gestão operacional da Secretaria de Segurança do Pará, delegado federal Luciano de Oliveira, disse que pretende deixar as máquinas apreendidas sob a guarda de prefeituras, especialmente as de São Félix e Altamira, ambas cobertas pelo decreto de emergência.

 

Eventualmente, se a Justiça decidir contra as pessoas que se apresentarem como donas das máquinas, as prefeituras poderão ter um reforço em seu patrimônio: escavadeiras hidráulicas e tratores de esteira, por exemplo.

 

Porém, se não houver outra opção, a ordem é disparar um tiro de fuzil para inutilizar os pequenos motores do garimpo e desmontar com explosivos as máquinas grandes. Isso mesmo: com uma carga de explosivos, mandar pelos ares uma máquina de mais de sete toneladas.

 

Para evitar que os criminosos ambientais se façam de vítima nas redes sociais, a Fórum apurou que as imagens da destruição devem ser mantidas em sigilo. Os registros, no entanto, deverão ser feitos para que se possa instruir os processos.

 

O diretor-geral da Polícia Civil do Pará, Walter Resende, disse à Fórum que a ação transversal do governo visa resultar em inquéritos suficientemente bem instruídos que resultem em punição efetiva dos desmatadores.

 

Luciano de Oliveira, da Secretaria de Segurança, disse que o recurso ao “camburão do bin Laden” nasceu de uma constatação: máquinas que foram inutilizadas em operações anteriores, com a colocação de açúcar e terra no motor, foram reencontradas em ações posteriores

 

Não se sabe exatamente como, mas os donos das máquinas foram capazes de recuperá-las. Um trator de esteira, utilizado no desmatamento, ou uma escavadeira PC, que acelera o trabalho no garimpo, podem custar mais de meio milhão de reais.

 

Isso sem contar o custo de abrir as picadas para colocar o maquinário no meio da floresta, uma operação que envolve grande capital.

 

O recurso aos explosivos na Operação Curupira, no entanto, não esconde o desafio: são apenas 45 agentes públicos, que se juntam à tropa local de São Félix do Xingu, para tentar conter o desmatamento na APA Triunfo do Xingu.Fração da chamada Terra do Meio, a APA é tão imensa que nela cabem 15 vezes o município de São Paulo.

 

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Sem título de propriedade, um ocupante da APA disse à Fórum que tem 10 mil cabeças de gado em 5 mil hectares. O filho do fazendeiro opera máquinas de grande porte, alegadamente apenas para manutenção de estradas. “Desde ontem mandei parar tudo”, ele nos disse, temendo a Operação Curupira.

 

Fonte: Revisto Fórum 

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