Em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia nesta terça-feira (21), o jurista Pedro Serrano avaliou as consequências da Operação Lava-Jato e a nova prisão do doleiro Alberto Youssef.
O doleiro - que já havia sido investigado na operação do Banestado - foi preso novamente pela Operação Lava Jato. Youssef foi detido em 2014 e teve condenação de 121 anos reduzida para três por conta de uma delação premiada. A decisão foi do ex-juiz e atual senador Sérgio Moro (União Brasil).
Pedro Serrano, que é professor de direito constitucional na PUC, criticou a delação e condenação do doleiro no início da Lava-Jato. “A situação geral do Youssef é meio escandalosa. Ele já tinha feito uma delação e não tinha cumprido seus deveres. Fez uma segunda, o que já é irregular. Saiu com muitas vantagens deste acordo”, disse.
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Youssef foi condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. “São crimes graves e muitos. É um sujeito periculoso para a vida social. Eu sempre achei escandalosa a relação da Lava Jato com ele”, afirmou Serrano. “Mas não só com ele”.O jurista avalia que o modus operandi da Lava-Jato era caracterizado pela tortura psicológica.
“As delações da Operação Lava Jato merecia uma investigação profunda sobre o que se deu”, disse.
Pedro avalia que réus não deveriam ser pressionados para delatar dentro da prisão. “Eu acompanhei muito de perto a situação da Lava-Jato. Era irresistível não fazer uma delação. Não olhar criticamente para os executivos das empresas que foram pressionados. Muitos mentiram”, disse.
“Eles prendiam abusivamente. Jogavam elas em celas. Às vezes colocavam ele em uma prisão pior do que a média”, adicionou. “O método implicou em tortura psicológica. Isso não está sendo apurado. É muito grave”, completou Serrano.
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“Você não deve usar da pessoa do réu para investigar remonta à tortura. As provas devem ser obtidas de outro modo. O investigado deve ir a julgamento para se defender”, encerrou o jurista.
Fonte: Revista Fórum