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Perto de despedida no Cruzeiro, Moreno chora e cita 'golpe' com a morte do pai: 'Tentando levantar'
Foto: Reprodução/TV Globo

Mauro Martins e Marcelo Moreno durante passagem do atacante pelo Cruzeiro

Perto de completar 37 anos, mas ainda bem fisicamente, Marcelo Moreno decidiu encerrar a carreira. Ídolo maior do futebol boliviano e principal artilheiro estrangeiro do Cruzeiro, o Flecheiro ainda tinha sondagens para seguir como jogador. Se ainda desperta atenção do mercado e o corpo ainda aguenta, por quê parar? A cabeça pediu. E há quase dois anos.

 

Pouco após encerrar a terceira passagem como jogador do Cruzeiro, Marcelo Moreno acertou com o Cerro Porteño. Morando no Paraguai, recebeu a notícia do falecimento do pai, Mauro Martins, aos 72 anos, em abril de 2022. Emocionado, com a voz embargada e tentando conter o choro, o centroavante disse que não conseguiu se concentrar na carreira a partir de então.

 

- Lógico que a vida é difícil para todo mundo. A gente perde pessoas importantes, e eu perdi. Perdi meu pai, foi o cara que me ensinou tudo. Ele deixou um legado no meu coração. Pode ter certeza que... é difícil, não é fácil.

 

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"Eu simplesmente não consigo mais jogar sem ele. Então... eu não vim para chorar. A vida ensina a ser forte, então vamos ser fortes aqui também. Tomei esse golpe e estou tentando me levantar."

 

- São 20 anos. É muita coisa, passa um filme bem rápido aqui. Foram vários momentos importantes, que eu nem sei por onde começar. É uma decisão difícil, porque não é assim que a gente decide deixar de jogar futebol. O trabalho que me deu uma condição melhor, deu meu prato de comida. Sempre fui um apaixonado pelo futebol, e continuo sendo. Sempre me doei ao futebol.

 

Desde que deixou o Cruzeiro, em janeiro de 2022, Marcelo Moreno disputou 45 jogos pelo Cerro, com sete gols marcados, e defendeu o Independiente del Valle em 26 oportunidades, anotando quatro gols. O centroavante diz que não se sentia bem ao não entregar 100% do esperado pelos torcedores.

 

- Foi uma decisão muito difícil. Passaram os meses, e eu não estava conseguindo. Se eu não estou 100% para dar o meu melhor ao torcedor que paga o ingresso, eu estou mentindo, não estou fazendo o que é certo.

 

Moreno admite que os familiares tiveram dificuldades em aceitar a decisão do jogador em encerrar a carreira, mas garante que a decisão, ainda que tenha um peso emocional, foi amadurecida ao longo dos últimos anos.

 

- Foi uma coisa muito única, de coração, de falar com a família. Ninguém quer aceitar, mas meu coração já aceitou. É a decisão certa, tenho uma carreira maravilhosa que segue.

 

PRESENÇA DO PAI NA CARREIRA

 

Mauro Martins foi influência de Marcelo Moreno para se tornar jogador de futebol. Também atuou como profissional e defendeu o Palmeiras nos anos 1970. Além disso, sempre acompanhou de perto o filho na carreira, principalmente nas passagens pelo Brasil, por Cruzeiro, Flamengo e Grêmio.

 

Marcelo Moreno se despedirá do Cruzeiro antes do clássico contra o Atlético-MG, no dia 7 de abril. E foi exatamente o clássico que reservou um dos momentos marcantes do jogador com o pai. Em 2008, Mauro estava no Mineirão quando o filho anotou o primeiro gol contra o rival, também na decisão estadual, e recebeu dedicatória.

 

Depois de quase 20 anos como profissional, com passagens por Alemanha, Brasil, China, Equador, Inglaterra, Paraguai e Ucrânia, Marcelo Moreno pretende dar um novo passo na carreira dentro do futebol. Está aberto a oportunidades, ainda sem definir exatamente a função.

 

- Vou continuar fazendo com muita paixão o que eu quero. Não sei em qual função... talvez como treinador, dirigente, presidente. Talvez, como o Ronaldo, vamos ver. Como jogador, eu tenho certeza que a decisão foi bem tomada, há muito tempo.

 

No balanço final sobre a carreira, que termina com 13 títulos, a artilharia histórica da Bolívia e também entre os estrangeiros do Cruzeiro, Marcelo Moreno prefere agradecer ao futebol.

 

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- São 20 anos. É muita coisa, passa um filme bem rápido aqui. Foram vários momentos importantes, que eu nem sei por onde começar. É uma decisão difícil, porque não é assim que a gente decide deixar de jogar futebol. O trabalho que me deu uma condição melhor, deu meu prato de comida. Sempre fui um apaixonado pelo futebol, e continuo sendo. Sempre me doei ao futebol.

 

Fonte: GE

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