Pressão de partidos da base para indicar diretores atrasou formação da equipe da nova CEO
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, deve se reunir na próxima segunda-feira (10) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para os acertos finais da composição de sua diretoria. Magda tem enfrentado pressões de partidos da base do governo federal na montagem de sua equipe, o que atrasou a definição dos nomes.
Magda continua tocando a empresa com uma diretoria provisória, duas semanas depois de tomar posse, como publicou o colunista Lauro Jardim. Levando em conta a data do anúncio de sua escolha para substituir Jean Paul Prates, já são 24 dias de indefinição.
Mas embora não tenha anunciado ainda seu time direto, a presidente da estatal já sinalizou a interlocutores do governo o que apresentará a Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no início da próxima semana – incluindo quem da gestão de Jean Paul Prates já têm o desligamento dado como certo e quais devem ficar.
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Nessas conversas, ela indicou que estão com a saída sacramentada o diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Carlos José do Nascimento Travassos, o de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Romeo Schlosser, e o de Exploração e Produção, Joelson Falcão Mendes. São nomes próximos do ex-CEO, mas de perfil técnico.
Os ligados ao PT, por outro lado, estão com a permanência garantida. A diretora executiva de Assuntos Corporativos, Clarice Coppetti, que chegou a presidir interinamente a estatal antes de Magda assumir e foi vice-presidente da Caixa Econômica Federal, é indicação pessoal de Lula e deve ser mantida.
Outro que não é diretor mas ocupa um cargo-chave e estaria com a permanência garantida é Danilo Ferreira da Silva, que foi chefe de gabinete de Prates, mas mantém interlocução direta com o Palácio do Planalto e é o responsável por encaminhar nomeações e pleitos do PT e da base aliada para o segundo escalão e unidades operacionais da companhia.
Fontes do governo Lula afirmam ainda que Mauricio Tolmasquim, diretor executivo de Transição Energética e Sustentabilidade, teria conseguido permanecer no cargo. Ligado ao PT, Tolmasquim era um dos mais cotados para deixar a alta gestão da Petrobras, mas fez acenos diretos ao governo – em especial ao Ministério de Minas e Energia de Alexandre Silveira.
Magda ainda vai indicar outros diretores para ocupar vagas que estão sob o comando de interinos, porque os titulares da gestão Prates já foram destituídos pelo conselho junto com ele. É o caso das diretorias Financeira e a de Transformação Digital e Inovação, da Advocacia-Geral e a Gerência-Executiva de Relações Institucionais.
APELO POR CARTA BRANCA
A demora nas indicações contrasta com a movimentação de Magda nas semanas anteriores à sua posse, no último dia 24. A executiva começou a despachar na sede da empresa antes mesmo de assumir o cargo e se inteirou sobre as agendas prioritárias de Lula, como o imbróglio em torno de um contrato de R$ 500 milhões com a Unigel investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Não é segredo nos corredores da companhia e do mercado que a nova CEO tenha sido indicada para acelerar projetos caros Lula, como a retomada de refinarias, das fábricas de fertilizantes da Unigel e da indústria naval, temas que representaram dores de cabeça bilionárias nos outros governos petistas.
De acordo com fontes do governo, ela teria tentado convencer o presidente de que, com carta branca para definir os diretores, ela consegue cumprir as promessas que fez ao presidente. A pressão dos partidos, porém, não arrefeceu.
Além da diretoria, Magda define na próxima semana também o desenho dos comitês da empresa, que monitoram assuntos da companhia no dia-a-dia. Por esses colegiados passa toda a informação relevante e de onde saem inúmeras recomendações técnicas.
Hoje, 17 das 25 vagas em comitês da empresa são ocupados principalmente por indicados do ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira. A predominância dos indicados de Silveira é tão marcante que, internamente, eles ganharam o apelido de "Silveirinhas". Com a saída de Prates houve um movimento interno para ampliar ainda mais o domínio de Silveira nos comitês, mas por ora ainda não foram feitas mudanças.
Depois da saída de Prates, outros 20 assessores e executivos com status de gerentes foram desligados, o que foi classificado como uma “caça às bruxas” por aliados do ex-presidente da Petrobras, que passou por um longo processo de fritura nos últimos meses antes de sua demissão.
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A troca de titulares no comando da companhia, portanto, deve mudar bastante o perfil da empresa, e alterar bem mais do que alguns diretores e assessores.
Fonte: O Globo