Paulo Gonet afirmou que é preciso esperar resposta do governo dos Estados Unidos sobre eventual uso de certificados falsos no país
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu novas diligências na investigação que apura a suposta participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em um esquema de fraude em registro no cartão de vacina contra a Covid-19. Bolsonaro e outras 16 pessoas, como o tenente-coronel Mauro Cid e o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ), foram indiciadas pela Polícia Federal no início de março.
O pedido de mais investigações no caso envolvendo Bolsonaro foi feito pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. As diligências servirão para fornecer mais provas à PGR, que precisa decidir se denuncia o ex-presidente e os demais indiciados, ou se pede o arquivamento do caso.
Gonet afirmou que é preciso esperar a resposta de um pedido feito ao governo americano, sobre se Bolsonaro e outros investigados utilizaram os certificados falsos no país.
Veja também

Carmén Lúcia mantém condenação de Dallagnol por PowerPoint sobre Lula
"É relevante saber se algum certificado de vacinação foi apresentado por Jair Bolsonaro e pelos demais integrantes da comitiva presidencial, quando da entrada e permanência no território norte- americano", escreveu o procurador-geral.
Gonet afirmou que a informação é importante para determinar quais crimes podem ter sido cometidos, por isso solicitou que a investigação retorne à PF.
"A notícia é relevante para a avaliação dos tipos penais incidentes no episódio. Solicita-se, portanto, da digna Autoridade Policial a produção de desses informes, para o que se pede a devolução dos autos à Polícia Federal", escreveu.
O ex-presidente foi indiciado pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações no caso que apura a falsificação de certificados de vacinas de Covid-19. O indiciamento significa, na prática, que a PF entendeu que já há elementos suficientes para apontar responsáveis por um crime.
No documento, a PF levou em consideração o depoimento de Mauro Cid, além de uma série de elementos, documentos, e-mails, entre outros, para afirmar que o ex-presidente teria ordenado a inclusão dos dados dele e da filha, Laura Firmo Bolsonaro, em sistema do Ministério da Saúde.
As investigações da PF apontaram também que os documentos de imunização no aplicativo ConecteSUS foram emitidos a partir de endereços de IP do Palácio do Planalto. Os downloads foram feitos dias antes e na própria data da viagem de Bolsonaro a Orlando, na Flórida, para onde foi antes mesmo do fim de seu mandato.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
De acordo com o relatório enviado ao STF, foram quatro emissões, três delas ainda em dezembro de 2022, nos dias 22, 27 e 30. O ex-presidente embarcou para os Estados Unidos no próprio dia 30, horas depois do acesso ao sistema. A defesa do ex-presidente nega que ele tenha sido responsável pelos documentos falsos.
Fonte: O Globo