Estratégia de Lira passou por jogar na mídia liberal, em princípio, que o PL era "petista". Nos bastidores, presidente da Câmara articulou com líder de Bolsonaro e selou acordo com Luciano Amaral, líder do PV e (ex?) aliado do arquirrival Renan Calheiros
Colocado com urgência na pauta de votação, o Projeto de Lei que limita as delações premiadas e crimininaliza a divulgação dos conteúdos é parte da estratégia de Arthur Lira (PP-AL) para cooptar deputados para sua sucessão na Presidência da Câmara, estendendo seus tentáculos aos partidos da base do governo Lula.
Lira colocou o Projeto de Lei na pauta na última quinta-feira (6), pegando o governo de surpresa mais uma vez. O requerimento para colocar o projeto, que começou a ser discutido em 2016 na pauta em regime de urgência, atendeu a um requerimento do líder do PL, Altineu Cortês, principal articulador político e porta-voz de Jair Bolsonaro (PL) na Câmara.
Além dele, assinam o requerimento, entre outros, Elmar Nascimento (União-BA), que já topou colocar o projeto de anistia de Bolsonaro na pauta para obter os 95 votos do PL e ganhar o apoio de Lira para a sucessão na Presidência da Câmara.Na estratégia, Lira divulgou à mídia liberal que o projeto seria aquele que foi apresentado pelo então deputado do PT, Wadih Damous, autal Secretário Nacional do Consumidor do governo Lula.
Veja também

O projeto nacional da Câmara é achacar o presidente da República
No entanto, tão logo o nome de Damous ganhou as manchetes, Lira criticou o projeto e disse que colocaria em apreciação o PL de seu conterrâneo, Luciano Amaral, do PV, que também assinou o requerimento.
Em Alagoas, Amaral é historicamente ligado ao grupo de Renan Calheiros (MDB-AL), inimigo deNas redes, o deputado do PV coleciona fotos ao lado de Calheiros, de Lula e de ministros do governo. No entanto, as benesses concedidas por Lira - especialmente o acesso das lideranças partidárias aos vultosos recursos das chamadas "emendas de relator" - atraíram Amaral para a órbita lirista em Alagoas.

Foto: Reprodução
À Fórum, pessoas próximas a Damous afirmam que a estratégia de Lira passou por "colar" o projeto em Damous para ganhar as manchetes e, em princípio, esconder Amaral.Sem grande influência na bancada alagoana, o deputado do PV vem sendo cortejado por Lira, que busca apoio da sigla para sua sucessão, rachando a federação que elegeu Lula - que além do PV conta ainda com o PCdoB e, obviamente, o PT.
Em fevereiro, Lira manobrou para que Amaral assumisse a liderança dos seis deputados do PV na Câmara. Apesar do número irrisório de deputados para influenciar a sucessão, a cooptação do conterrâneo teria como intenção atingir a base de Lula.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Amaral votou pela soltura do deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), acusado de ser um dos mandados do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ), em 2018, em um sinal de aproximação com Lira.A defesa da urgência do PL das delações seria, portanto, um gesto de "gratidão" de Amaral e sela o acordo com Lira.
Fonte: G1