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Por que o Brasil está no mapa da internacionalização das gigantes chinesas da construção civil
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CRCC manifestou interesse em participar dos leilões de concessão de 214 km de rodovias no litoral paulista e do trecho da BR-040 entre Minas Gerais e Rio de Janeiro

Diante do arrefecimento do setor da construção civil na China -- um dos principais motores da segunda maior economia do mundo nos últimos anos -- e de olho em projetos bilionários de investimento em infraestrutura no Brasil, grandes conglomerados chineses avisam que o seu maior fornecedor de alimentos está no mapa da internacionalização de suas operações. Uma maiores empresas do ramo no mundo, a gigante CRCC manifestou nesta quarta-feira interesse em participar dos leilões de concessão de 214 km de rodovias no litoral paulista e do trecho da BR-040 entre Minas Gerais e Rio de Janeiro, marcado para abril deste ano. Juntos, os dois empreendimentos devem trazer ao país investimentos de mais R$ 12 bilhões ao longo de três décadas.


O presidente da companhia, Deng Young, referiu-se especificamente a estes dois projetos ao destacar a importância do Brasil na agenda internacional da empresa, que já está a cargo da construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica. Presente em 140 países, a CRCC vê grandes oportunidades de investimentos no programa de reindustrialização que será conduzido pelo governo e de renovação da infraestrutura nacional. A empresa que faturou US$ 160 bilhões em 2022 é a 39a. maior do mundo, segundo o ranking Fortune 500, onde figura há 17 anos.

 

— O Brasil e a China estão em uma fase de desenvolvimento muito importante. Há muitas oportunidades no processo de reindustrialização e atualização da indústria do país para promover o desenvolvimento econômico — disse Deng durante o painel “Infraestrutura e transporte: tecnologia, investimento e eficiência na mobilidade moderna” do Brasil China Meeting — uma iniciativa LIDE e Valor, com apoio institucional do GLOBO e CBN — que acontece em Shenzhen, na China.

 

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O executivo Yin Xinglei, vice-presidente da CREC Internacional, outro gigante da construção presente no Brasil, afirmou que o grupo também quer participar de projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo, que tem um orçamento estimado em R$ 1,7 trilhão.

 

— Queremos participar do PAC para fornecer mais força motriz ao Brasil — disse Yin, ao afirmar que a CREC pode oferecer projetos nas áreas de construção, infraestrutura e mobilidade.

 

O interesse não é surpresa para João Andrade, presidente do Grupo Future, multinacional especializada na área de construção que atuam em parceira com as empresas chinesas em terceiros mercados, que também falou no painel a uma plateia de 160 pessoas entre integrantes dos setores público e privado brasileiro e chinês. Conhecedor de ambos os países, ele afirma que o mercado brasileiro tem a escala certa para a China.

 

—Estas empresas grandes precisam de outros mercados com escala. Os esforços para entrar em um país pequeno ou grande são os mesmos — diz. E o Brasil, segundo ele, tem a vantagem de ser um mercado regulado e maduro. —Mais maduro do que os mercados com os quais as empresas chinesas estão acostumadas a lidar. Portanto, oferece menos riscos, o que é atraente neste momento. Só que isso também significa margens menores.

 

Andrade destaca, no entanto, que ainda arestas a serem aparadas. As diferenças culturais, empresariais e sociais, segundo ele, não desaparecem na tradução do mandarim para o português. Os países precisam se descobrir e, para isso, ele recomenda parcerias locais. Este seria o segredo para se evitar erros.

 

—Apostar em parcerias locais é o melhor modelo de internacionalização. No Brasil, isto é especialmente verdade — diz. Esta também é a opinião de Liao Jun, presidente da subsidiária da CRCC voltada para investimentos estrangeiros.

 

O tempo das empresas chinesas, por exemplo, é outro, na avaliação de Andrade.

 

— Quase metade do período de uma licitação elas gastam com discussões internas. No setor privado, isso funciona menos, pois existe mais agilidade. Mas é preciso entender isso — ressalta.

 

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Segundo o empresário do Grupo Future, o Brasil hoje não tem capacidade para executar sozinho as obras de infraestrutura com a dimensão necessária para atender as suas demandas e os chineses podem ser de grande ajuda, dada a sua capacidade financeira e sua experiência na atuação de empreendimentos grandiosos e domínio de tecnologias e maquinário de ponta. Ele afirma que é necessário estreitar ao diálogo com as empresas chinesas e sensibilizá-las sobre as particularidades do mercado brasileiro. Segundo ele, essas corporações elas estão acostumadas com projetos que ofereçam cerca de 10% de rentabilidade, e isso não é a regra no Brasil. Ao mesmo tempo, o país é altamente seguro e seu risco menor. E cabe às autoridades brasileiras e setor privado deixar isso claro a seus futuros parceiros chineses. 

 

Fonte: O Globo

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