Cotação da moeda americana fecha acima deste patamar pela primeira vez desde outubro. Super Quarta, com decisão sobre juros no Brasil e nos EUA, influencia as cotações. Mas hype de tecnologia também
Em uma semana decisiva para o mercado financeiro, com a decisão do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve sobre a taxa de juros no Brasil e nos Estados Unidos na quarta-feira, fenômeno conhecido como "Super Quarta", o dólar encerrou o pregão em mais de R$ 5 pela primeira vez desde outubro de 2023. O dólar comercial fechou esta segunda a R$ 5,02, em alta de 0,57%.
Mas, afinal, por que a cotação da moeda americana voltou a este patamar? O que explica esta alta? E quais são as projeções para o câmbio até o final do ano?
Analistas citam a política monetária mundo afora como fundamental para a trajetória do dólar, mas não só isso:
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— Não é uma alta exclusiva daqui. A moeda está forte nos emergentes, com a expectativa da decisão de política monetária em vários países, especialmente nos Estados Unidos e no Japão. Outro ponto importante é que tecnologia e inteligência artificial são o hype do momento, mas o Brasil não surfa nessa onda, então aqui não é uma prioridade para o investidor nesse momento — explica Luan Aral, trader e especialista da Genial Investimentos em dólar.
As Bolsas e ações de empresas ligadas à tecnologia acumulam uma série de altas nos Estados Unidos, com investidores animados com o avanço da inteligência artificial. Para se ter uma ideia, as ações da fabricante de chips e semicondutores Nvidia decolaram 78,2% neste ano, e o índice Nasdaq 100 subiu 44,08% nos últimos 12 meses, de acordo com dados da Bloomberg.
Aral também ressalta que a saída de investidores estrangeiros do Brasil têm impulsionado a cotação do dólar. Nos dois primeiros meses do ano, R$ 16,6 bilhões deixaram o país, de acordo com levantamento do sócio-fundador da Elos Ayta Consultoria, Einar Rivero, com base em dados da B3.
A Genial Investimentos, no entanto, estima que o dólar deve permanecer entre R$ 4,70 e R$ 4,80 nos próximos meses, com a possibilidade da diminuição da taxa de juros americana a partir do segundo semestre do ano. Para Aral, isso deve tornar o mercado brasileiro mais atrativo para os investidores.
Já o C6 Bank projeta que o dólar deve continuar subindo e chegar a R$ 5,30 no final do ano. Claudia Moreno, economista do banco, destaca que o aumento dos gastos públicos e da dívida brasileira também estão no radar do mercado:
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— Já temos uma dívida líquida percentual do PIB bastante elevada e apesar do arcabouço fiscal em vigor, acreditamos que os gastos públicos vão continuar subindo, o que deixa de atrair investimentos de fora — ela explica.
Fonte: O Globo