A incrível operação — que pegou líderes russos e ocidentais de surpresa
Washington ainda está absorvendo o impacto do ataque surpresa da Ucrânia na região de Kursk, na Rússia, na medida em que vai entendendo o tamanho da aposta ousada do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.Autoridades americanas estão avaliando o quanto essa incursão poderá alterar as dinâmicas política e militar desta guerra, bem como as implicações para a posição de Washington sobre como a Ucrânia pode usar armamentos fornecidos pelos americanos.
A incrível operação — que pegou líderes russos e ocidentais de surpresa — ressalta um dos dilemas de maior risco para o apoio do Ocidente à Ucrânia: o presidente americano, Joe Biden, vem consistentemente tentando dar mais poder a Kiev para que ele lute contra a invasão russa sem arriscar uma escalada de tensões americanas com Moscou.
Como Putin sempre tentou retratar esse conflito como uma guerra entre a Rússia e o Ocidente, Biden buscou colocar limites claros na política americana para esvaziar essa narrativa e prevenir hostilidades.A operação expandiu as fronteiras estabelecidas por Washington para como a Ucrânia deve usar sistemas de armas fornecidos pelos Estados Unidos e pela Otan? Ela pode estar cruzando a linha vermelha estabelecida pela Rússia para o envolvimento do Ocidente na guerra? Se não, Zelensky mostrou a Washington que Putin estava blefando?
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Apesar dos riscos e incertezas, há uma sensação de admiração e surpresa entre alguns oficiais em Washington com a tática de Zelensky. É possível deduzir uma posição americana ao se reunir as declarações de autoridades americanas na última semana.
O governo dos EUA insiste que a Ucrânia não deu nenhum aviso prévio aos americanos sobre o ataque. A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, disse que Washington não tem "nada a ver" com isso.Quanto ao uso de armas americanas, porta-vozes da Casa Branca, do Pentágono e do departamento de Estado não confirmam se elas estão sendo usadas ou não, mas parece bastante claro que elas estão sendo usadas, dada a dependência da Ucrânia em sistemas fornecidos pelos EUA e pela Otan.

Vladislav Seleznyov, ex-porta-voz das forças armadas da Ucrânia, disse à rádio Voz da América que lançadores de foguetes HIMAR, fornecidos pelos EUA, foram fundamentais na operação.A aprovação dos EUA para o uso de armas pela Ucrânia na incursão em Kursk certamente está implícita. O porta-voz do Pentágono, o general de brigada Patrick Ryder, disse nesta semana: "Nós avaliamos que eles estão dentro dos limites de princípios que estabelecemos. Esses princípios não mudaram no que se refere em particular ao uso de armas americanas".

Fotos: Reprodução
Autoridades disseram que o ataque foi "consistente" com seus princípios "desde o começo" para que a Ucrânia possa se defender de ataques que venham do outro lado da fronteira.Mas a porta-voz do Pentágono, Sabrina Singh, acrescentou: "Novamente, nós não apoiamos ataques de longo alcance na Rússia. Eles são mais para fogo cruzado. Eu não vou estabelecer um alcance específico.”
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Os EUA são o maior fornecedor de armas para a Ucrânia — o que torna a relação entre ambos mais importante para as perspectivas da Ucrânia. No começo do mês, o Pentágono autorizou o 63º envio de equipamentos em três anos, incluindo mísseis Stinger e cartuchos de artilharia. Mas desde o começo da invasão da Rússia, a abordagem de Biden foi marcada por inicialmente recusar o envio de sistemas mais avançados — como os foguetes Himars, os mísseis Patriot e os caças F-16 — para depois mudar de ideia.
Fonte: BBC