Estamos esperando o quê? Que morra alguém?, denunciou dirigente do Movimento Nacional da Luta Pela Moradia em audiência pública na Alepe uma semana antes do desmoronamento
Cerca de uma semana antes do desabamento que matou ao menos 11 pessoas no município de Paulista, no Grande Recife, uma audiência pública sobre o problema da moradia urbana em Pernambuco foi realizada na Assembleia Legislativa Estadual. Lideranças do Movimento Nacional da Luta Pela Moradia (MNLM) denunciaram na ocasião a situação vivida no Complexo Beira-Mar, onde o desmoranamento desta sexta-feira aconteceu. Segundo eles, que classificam o episódio como uma "tragédia anunciada", o imóvel apresentava rachaduras e infiltrações.
A Prefeitura de Paulista informou, após o desabamento, que o prédio estava interditado desde 2010 e que havia sido reocupado por sem-tetos. No momento do desabamento, três famílias moravam no local.
— Eu sou da cidade de Paulista e é muito triste eu ver um conjunto habitacional como o Beira-Mar, vivendo naquela situação há anos. Estamos esperando o quê? Que morra alguém? — disse o dirigente do MNLM, Paulo André, na quinta-feira passada, durante a audiência pública.
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— O prédio apresentava, sim, rachaduras e tinha muitos problemas de vazamento de água, pingueiras, essas coisas. Só que essas pessoas ocupavam lá há doze anos, e a prefeitura nunca tomou nenhuma atitude — disse ao GLOBO Carla Eduarda Luz, dirigente nacional do MNLM.
Em sua fala, Paulo André mencionou ainda outros casos recentes de desabamentos que guardam semelhanças com o desta semana. Um deles ocorreu em abril, quando um prédio de três andares desmoronou em Olinda, deixando três mortos: um homem adulto, um adolescente de 13 anos e uma mulher. Outras cinco ficaram feridas, segundo informações do Corpo de Bombeiros. Em comum, ambos desmoranamentos aconteceram nos chamados prédios-caixões.
Essas construções usam "alvenaria resistente na função estrutural" e não concreto armado. Assim, são as próprias paredes que sustentam a estrutura, sem o uso de vigas ou pilares. No município de Paulista, cerca de 200 imóveis teriam essas características.
— O que aconteceu no Beira-Mar é o que aconteceu no Leme (prédio de Olinda), as famílias abandonadas, desprezadas pelo poder público. Uma das moradoras (do Beira Mar) recebia auxílio moradia há 15 anos. O custo do aluguel muito alto, as pessoas desempregadas, então, sem alternativas, acabam colocando a vida delas em risco — disse ainda Carla Eduarda da Luz.
Segundo a Secretaria de Defesa Social do Pernambuco, das 21 vítimas do desabamento desta sexta-feira, além das mortes confirmadas até o momento (sete homens, de 8, 12, 16, 18, 21, 40 e 45 anos, quatro mulheres, de 5, 19, 40 e 43), três pessoas foram resgatadas com vida e outras três seguem desaparecidas.
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Fonte: O Globo