Ar vem piorando com a fumaça dos incêndios que tomam conta do país - o que afeta a saúde da população
A batalha contra os incêndios em São Paulo mobilizou na terça-feira (10) autoridades, especialistas e moradores. Uma luta desesperada e desigual. Com baldes d'água, moradores de Osasco, na Grande São Paulo, na manhã desta terça-feira (10), tentavam evitar que o fogo chegasse nas casas. Uma luta perdida.
Na Represa Billings, um dos principais reservatórios paulistas, a mortandade de peixes é investigada. O sol desenhado em laranja. O horizonte opaco. A fumaça, que há mais de 15 dias paira sobre São Paulo, mudou as cores. O estado tem hoje nove cidades com focos ativos.
O helicóptero da PM foi chamado para conter um incêndio em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. Noite e dia, o Parque Estadual de Itapetinga, que conecta as Serras da Cantareira e da Mantiqueira, arde em chamas. Há mais de uma semana brigadistas voluntários lutam como podem.
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O ar que podemos ver a olho nu, e que está sendo analisado por equipamentos como os do Instituto de Física da USP, está muito acima do aceitável para a saúde. Esse é um alerta é de pesquisadores e cientistas - e não só para São Paulo. A cor dos filtros dos equipamentos vai ficando mais escura com a poluição, que é medida em São Paulo e também na Amazônia.
"Em São Paulo, nós estamos observando valores de material particulado da ordem de dez vezes acima do padrão de qualidade do ar. Enquanto na Amazônia, hoje, estamos observando valores da ordem de 20 a 30 vezes acima dos padrões de qualidade do ar. O que caracteriza uma atmosfera extremamente poluída e uma atmosfera que traz fortes impactos na saúde da população”, afirma o professor do Instituto de Física da USP Paulo Artaxo.
"Hoje, eu já tomei uns 6 l d'água, mais ou menos. Para aguentar, está difícil, de verdade”, diz o entregador Leandro Assunção.
"A gente fica com ressecamento no nariz, garganta seca e muito difícil para respirar”, conta a auxiliar de limpeza Yara Maria Reis.
Para a pesquisadora e presidente do Instituto Ar, autoridades de regiões em situação crítica deveriam tomar providências para reduzir todo tipo de poluição e alertar a população, como fazem países que usam padrões de qualidade recomendados pela Organização Mundial de Saúde. O Brasil só deve atualizar esses padrões a partir de 2025.
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"É importante que, a partir de uma certa concentração, a população seja avisada. Que tenha avisos de atenção, alerta ou emergência, como ocorre, por exemplo, com a umidade do ar. Nós temos, hoje, um nível de concentração acima de 170 microgramas por metro cúbico de material particulado 10. Comparativamente, a França, com um nível de 80, já deflagra um nível de emergência”, afirma Evangelina Araújo, presidente do Instituto Qualidade do Ar.
Fonte: G1