FIFPro conduziu pesquisas com 362 atletas de todos os continentes investigando as condições de trabalho, remuneração e direitos
Nesta quarta-feira, a FIFPro, federação de atletas profissionais de futebol, divulgou um relatório que investiga as condições de trabalho das jogadores durante as eliminatórias para a Copa Feminina, que começa no próximo dia 20 na Austrália e na Nova Zelândia. As entrevistas, realizadas com 362 atletas das cinco confederações que estarão presentes no Mundial, revelam que o cenário é "desigual e discrepante" em relação à modalidade praticada pelos homens.
Alguns dados são fundamentais para entender a discrepância. Somente 40% das jogadoras são profissionais, enquanto 16% se declaram como semi-profissionais, 9% estão incertas sobre o nível de profissionalização, e 35% estão na categoria amadora. Em relação a remuneração, 29% afirmaram que não receberam qualquer tipo de valor, enquanto a maioria (52%) relatou receber um salário fixo diário. Outros 25% afirmaram receber apenas em caso de vitória, e 28% por participação nas concentrações da seleção.
Uma atleta que joga em uma seleção da Europa comentou sobre a pesquisa, mas não quis ser identificada. "Não há remuneração suficiente para nós. Algumas das jogadoras precisaram tirar férias não-remuneradas de seus trabalhos e não há a confirmação de que elas vão jogar a competição", relatou ela.
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A primeira diferença em relação ao torneio masculino já acontece na forma de classificação: só a Uefa seleciona as seleções participantes através de eliminatórias. As outras confederações utilizam torneios continentais, como a Copa América, no caso da Conmebol, para decidir quais seleções participarão do Mundial, e a competição ainda tem a função tripla de funcionar como classificatória para as Olimpíadas. O presidente da FIFPro David Aganzo, afirma que é preciso que "a estrutura dos jogos esteja sob uma base sólida e promova igualdade, justiça e uma melhor prática para as jogadoras, independente de onde elas joguem."
— Para a Copa do Mundo Feminina se tornar realmente um evento de elite, as eliminatórias também precisam estar em um padrão de elite. Continuamos imensamente entusiasmados com o potencial do jogo das mulheres, mas é necessário que as jogadoras de todos os lugares do mundo tenham condições e oportunidades que possam promover a melhor plataforma para elas jogarem em um palco global, para que elas e o esporte desabrochem em todos os lugares — analisa.
Em relação aos centros de treinamento disponibilizados pelas seleções, o cenário também está longe do ideal. 70% das jogadoras responderam a pesquisa afirmando que as academias não são de um padrão de elite, 54% não tiveram acesso a tratamentos médicos antes de competições, 66% revelaram que não tiveram acesso a espaços de recuperação de elite, e 70% não passaram por exames cardiológicos de check-up antes dos jogos.
Além disso, 59% das jogadoras relataram que voaram em voos de classe econômica em longas distância, 39% não tiveram acesso a profissionais de saúde mental, 33% alegaram não ter tempo de recuperação suficiente entre os jogos, e 32% falaram que os gramados e estádios não estavam em um padrão adequado.
O secretário-geral da FIFPro, Jonas Baer-Hoffman, analisou o resultado do relatório:
— A Copa do Mundo é a epítome do futebol de seleções, mas os caminhos para o torneio definem as condições das jogadoras em um período mais longo. Assim, assegurar as melhor condições para as atletas é vital. Estamos preparados para trabalhar com a Fifa e as confederações para melhorar as condições para as eliminatórias da Copa e discutir as atuais desigualdades e a fragmentação.
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Fonte: O Globo