Em sua primeira final na volta ao Grêmio, técnico fala por que não ganhou no Flamengo, corneta estilo de Diniz e contesta paciência com portugueses e estrangeiros na seleção: Quando o cara é bom, tem espaço
Do alto de seus 60 anos, Renato Gaúcho exibe os cabelos e a barba cada vez mais grisalhos, mas diz que está "quase voltando a jogar". Bem de saúde e com a cabeça boa fruto das vitórias recentes e das folgas que não abre mão no Rio, mantém-se convicto de suas ideias prestes a somar 700 jogos.
Em conversa exclusiva antes de sua primeira final desde que voltou ao Grêmio, contra o Caxias, pelo Estadual, às 16h30, o jogo número 699, Renato comemora ter conseguido trazer a torcida de volta desde o retorno à Série A do Brasileiro, e projeta brigar pelos títulos da temporada.
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O que o Grêmio pode alcançar este ano?
- O importante foi que a torcida do Grêmio voltou a acreditar no grupo. Mudamos muitos jogadores. Da segunda para primeira divisão, contratamos de 10 a 12 jogadores. Achei uma forma de jogar diferente, em pouco tempo, com novos jogadores. A gente pretende o que todos pretendem, ganhar o Brasileiro, brigar pela Copa do Brasil. Tenho visto os times todos jogarem, não tem um time no Brasil que possa se dizer que vai ser campeão. Tá muito parelho. Se me derem mais três ou quatro reforços, podemos brigar.
Com o Flamengo de elenco milionário faltou o quê para conquistar?
- A minha passagem pelo Flamengo foi maravilhosa, só faltou o título. Lembrando que cheguei no meio tiroteio. Falei: "Olha, as três competições é difícil de chegar". Mesmo assim chegamos.
Achou que acabaria com o fantasma do Jorge Jesus?
Com Jesus, foram duas competições disputadas e ninguém estava machucado. Comigo, não disputei Estadual, disputei Libertadores, Brasileiro e Copa do Brasil. Tive mais de 70% de aproveitamento, e joguei a final da Libertadores com alguns jogadores com 50% das condições físicas.
Desde o Jesus não para de chegar técnico português. Agora alguns até desconhecidos. Por que?
- Quando o cara é bom, tem espaço. Não vamos pegar um ou dois e achar que todo mundo é bom. Não tenho visto isso. Vejo que se tem paciência muito grande com portugueses aqui no Brasil. Muita gente não tem essa paciência com os brasileiros, por que vai ter com os portugueses? E futebol é resultado. Se derem resultado, tudo bem, se não derem a fila tem que andar.
Falando nisso, você se vê mais parecido com Fernando Diniz do que com Vítor Pereira?
- Temos ideias parecidas, me dou bem com Diniz. Só não arrisco como ele arrisca. É suicídio. Mas cada técnico tem sua maneira de trabalhar. Ele arrisca com goleiro e zagueiro na área. Na duvida mando "quebrar", chutar para longe. Haja coração, meu amigo. Nesse ponto discordo dele.
- Quando o Andreas errou aquela bola na final da Libertadores, sentiu isso?
- Ele é um puta profissional, o Andreas. No Brasil, o cara erra e é crucificado. Não sei como ele não está na seleção brasileira... Eu daria uma chance. Mas por causa de um erro é massacrado.
- A seleção ainda é um sonho pra você agora com o cargo vago?
- Todo treinador tem que ter pretensão de chegar na seleção. Eu trabalho no clube pra um dia ter uma oportunidade. Se ela chegar, ótimo. Se não continuarei trabalhando. O treinador tem que pensar grande.
Concorda com a opção pelo Ancelotti ou outro estrangeiro?
- Não vou me meter, fica a cargo da CBF. Só acho que temos bons treinadores no Brasil. Não à toa conquistamos os maiores títulos.
Qual o perfil de técnico gostaria de ver no Brasil? Que tipo de jogo?
Depende muito do treinador, do estilo dele. No Grêmio tenho plano A e B, depende. Acho que o Brasil tem grande vantagem pra próxima Copa, tem muitos jovens bons aparecendo, daqui quatro anos vão estar bem mais experientes, com idade boa, e muitos jogando na Europa.
Hoje tem Fla-Flu. Aposta em que lado?
- Quando dois times chegam, os dois tem condições. Disputei vários por um lado e outro, não tem favorito, independente da fase... É um clássico, os dois times tem grandes jogadores.
Tem vindo ao Rio com que frequência?
- Fui uma vez no Rio, uma folga, não atrapalha em nada, vou continuar indo. Eu costumo perguntar aqui o seguinte: vocês preferem que tenha folga pra ir de vez em quando e não tenha multa no contrato, ou preferem R$ 5 milhões de multa e que eu não vá?
Folga é sagrada então?
No Rio vou ver minha familia, meus amigos, jogar meu futevolei, tomar meu chope. Tem gente que gosta de pescar, de nadar. Tenho meu direito a folga, gosto de futevolei e praia. É a mesma coisa.
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E rede social?
Tenho rede social, mas não me meto muito se não fico maluco.
Fonte: O Globo