Decisão veio uma semana após partidos de oposição decidirem pôr fim à Presidência interina de Juan Guaidó; chefe da missão em solo americano diz ter atingido objetivos
A representação diplomática da oposição venezuelana em Washington anunciou nesta sexta-feira o encerramento de suas atividades, uma semana após as legendas críticas decidirem pôr fim à "Presidência interina" de Juan Guaidó. O líder oposicionista havia se autoproclamando presidente no início de 2019 como uma tentativa de apressar a derrubada do regime de Nicolás Maduro, que no ano anterior havia sido reeleito para um terceiro mandato consecutivo em eleições contestadas.
"A Embaixada venezuelana nos Estados Unidos e todos os seus funcionários encerraram oficialmente suas funções nesta quinta-feira", informa um comunicado da representação opositora.
O fechamento da representação é o novo desdobramento do fim do governo paralelo pelos partidos Primeiro Justiça, Um Novo Tempo e Ação Democrática durante uma reunião da chamada "Assembleia Nacional de 2015" na semana passada. O grupo é formado por deputados eleitos naquele ano, quando a oposição venezuelana conquistou a maioria legislativa.
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Na prática, o mandato desses representantes acabou no início do ano passado, quando tomou posse a nova legislatura, eleita no final de 2020, em um pleito do qual os partidos que sustentavam Guaidó decidiram não participar.
A representação opositora afirmou que o encerramento de suas funções foi decidido pela maioria dos deputados da "Assembleia Nacional de 2015". Em comunicado, o chefe da missão, Carlos Vecchio, afirmou ter atingido objetivos como dar visibilidade à causa venezuelana nos Estados Unidos, aumentar a pressão internacional para o fim do que considera ser uma "ditadura" na Venezuela e contribuir para "a recuperação e proteção de ativos venezuelanos", articular a diáspora e proteger os venezuelanos no país.
Ele referia-se à gestão de ativos e fundos do Estado venezuelano no exterior que foram bloqueados em 2019 pelos EUA e o Reino Unido e postos sob controle de opositores de Maduro. Parte desses fundos — que incluem depósitos em ouro no Banco da Inglaterra e a Citgo, subsidiária da estatal petrolífera PDVSA nos EUA — foi usada para sustentar o "governo interino" e seus embaixadores fora da Venezuela, e há controvérsias relacionadas à prestação de contas.
Uma das empresas que ficaram nas mãos da oposição, a produtora de fertilizantes Monómeros, filial na Colômbia da estatal Petroquímica de Venezuela (Pequiven), faliu, e em setembro deste ano foi devolvida a Maduro. Com o fim do "governo interino", a Assembleia Nacional de 2015 controlará os ativos.
Após a decisão da oposição na semana passada, Maduro disse estar "totalmente pronto" para normalizar relações com Washington. Em 2019, sob comando do então presidente Donald Trump, os americanos impuseram sanções ao petróleo venezuelano e promoveram um movimento internacional de reconhecimento de Guaidó, que chegou a ter o apoio de mais de 50 países, incluindo os membros da União Europeia e o Brasil.
O Departamento de Estado americano, Ned Price, contudo, disse por meio de seu porta-voz que ainda considera Maduro como presidente ilegítimo, reconhece a autoridade do Parlamento eleito em 2015 e continuará a aplicar sanções. Afirmou, contudo, que isso será constantemente avaliado "em função do que o regime de Maduro faça para promover a possibilidade de que o povo venezuelano alcance suas aspirações democráticas".
Embora formalmente mantenha uma política contrária a Maduro, o governo Biden enviou delegados a Caracas em 2022 para se reunir com ele e negociar, entre outras coisas, trocas de prisioneiros como a que ocorreu em outubro. A aproximação coincide com a guerra de Vladimir Putin na Ucrânia e a disparada no preço dos combustíveis — algo que o reingresso no mercado do produto da Venezuela, dona da maior reserva de petróleo do planeta, pode ajudar a aliviar.
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Em novembro, a Casa Branca concedeu uma licença à gigante da energia Chevron para operar por seis meses no país sul-americano, depois que delegados do regime de Maduro e da oposição venezuelana retomaram as negociações no México. Nesta semana, a colombiana Ecopetrol também pediu permissão a Washington para negociar com a PDVSA, já que as medidas americanas são aplicáveis a quem faz negócios com a estatal.
Fonte: O Globo