Cientistas parecem ter finalmente decifrado o enigma por trás da extinção de uma misteriosa comunidade de animais marinhos conhecida como biota Malvinoxhosan, que desapareceu há aproximadamente 390 milhões de anos no antigo supercontinente Gondwana, situado próximo ao que é atualmente o Polo Sul.
O mistério, que permaneceu não resolvido por quase dois séculos, foi desvendado graças a um estudo inovador liderado pelo cientista evolucionista Cameron Penn-Clarke, da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, e pelo professor David Harper, da Universidade de Durham.
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UM MISTÉRIO DO PASSADO

Durante o período Devoniano Médio (entre 393 milhões e 382 milhões de anos atrás), conhecido também como "Era dos Peixes", o supercontinente Gondwana, que abrangia partes da África, América do Sul, Austrália, o sul da Ásia e a península Arábica, encontrava-se em condições climáticas diferentes daquelas que vivenciamos atualmente.
O clima da Terra era mais quente e os níveis do mar eram bem mais altos, alagando grandes porções do solo terrestre. Neste cenário, existia a biota Malvinoxhosan, uma comunidade de animais marinhos típicos de águas frias, incluindo trilobitas, braquiópodes e moluscos.
No entanto, esse curioso grupo desapareceu súbita e misteriosamente há cerca de 390 milhões a 385 milhões de anos, intrigando cientistas por séculos. Numa tentativa de solucionar a questão, a equipe de pesquisadores mergulhou fundo nos registros fósseis, analisando centenas de vestígios da biota Malvinoxhosan encontrados em diversas camadas rochosas que se formaram com o passar das eras.
DECLÍNIO MORTAL

Ao se voltar para as rochas, a equipe percebeu que cada camada rochosa correspondia a uma leve diminuição do nível do mar, o que acendeu um alerta que isso poderia representar uma potencial resposta para o mistério.
A análise minuciosa das rochas em comparação com o sumiço dos animais revelou um padrão intrigante: à medida que o nível do mar diminuía, a diversidade e o número de espécies da biota Malvinoxhosan diminuíam drasticamente.
Os cientistas concluíram que a descida do nível do mar perturbou as correntes oceânicas próximas ao Polo Sul, permitindo que águas mais quentes do equador se misturassem com as águas frias do sul. Isso resultou na substituição da biota Malvinoxhosan por espécies marinhas que melhor se adaptavam às águas quentes.
Esse evento de extinção teve um impacto devastador nos ecossistemas das regiões polares, colapsando a biodiversidade desses lugares, que até hoje não se recuperaram completamente.
ESPELHO DO PASSADO

Fotos:Reprodução
Além de desvendar esse mistério de longa data, essa pesquisa oferece percepções cruciais sobre a sensibilidade dos ecossistemas polares às mudanças no nível do mar e na temperatura. Infelizmente, as mudanças que ocorreram há 390 milhões de anos têm paralelos alarmantes com as mudanças climáticas modernas.
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Como a Terra continua a mudar, cada descoberta como essa nos aproxima de desvendar os mistérios do nosso planeta, oferecendo lições inestimáveis para preservar nosso mundo para as gerações futuras.
Fonte:MegaCurioso