O experimento, chamado de parabiose, foi capaz de estender em até 9% a vida do animal mais envelhecido. No entanto, o contrário também aconteceu, e o animal mais jovem ficou com a saúde debilitada
Um estudo britânico feito em camundongos divulgado na revista "Nature Aging" na quinta-feira (27) demonstrou que uma técnica de transfusão de sangue entre animais de diferentes idades é capaz de rejuvenescer o mais velho — e também envelhecer o mais novo.
A técnica é chamada de parabiose e consiste em conectar os animais por meio dos seus vasos sanguíneos.
A infusão de sangue fez com que a vida do rato mais velho fosse estendida entre 6 e 9%, o que seria equivalente a seis anos para humanos.
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De acordo com os cientistas da Duke University School of Medicine responsáveis pelo experimento, o procedimento levou à extensão da vida útil e melhora da função física, que se sustentou por dois meses após o descolamento dos dois camundongos.
Nós conseguimos resetar a trajetória do envelhecimento. — James White, biólogo da Universidade Duke e um dos autores do estudo
Contexto: Esse estudo se soma a outros realizados desde 1950 que já constataram benefícios revitalizantes do sangue jovem. No entanto, ainda é um mistério como isso acontece. Em humanos, uma técnica parecida foi tentada pelo milionário norte-americano obcecado por tentar adiar o seu envelhecimento: ele chegou a fazer transfusão de plasma sanguíneo com seu filho de 18 anos.
RESULTADOS DO ESTUDO
Depois de separar os animais, os cientistas analisaram marcadores biológicos que agem como um relógio, revelando a idade biológica do animal. Esses relógios pareciam ter sido pausados:
Dois meses depois, esses marcadores moleculares mostraram os animais mais velhos como “mais jovens” do que camundongos não tratados da mesma idade;
O sangue de camundongos jovens contém compostos que promovem a longevidade;
Os ratos jovens envelhecem rapidamente, mas, ao serem separados, rapidamente retornaram ao estado normal.
No ano passado, um outro estudo realizado pelo Instituto de Zoologia e Instituto de Genômica de Pequim trouxe conclusões similares.
Publicada no ano passado na revista científica "Cell Stem Cell", a pesquisa revelou que a exposição ao sangue antigo pode acelerar o envelhecimento de vários órgãos, tecidos e tipos de células no camundongo jovem, enquanto, reciprocamente, a exposição ao sangue jovem pode provocar o rejuvenescimento no camundongo envelhecido.
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TRANSFUSÃO DE PLASMA REJUVENESCE HUMANOS?
O resultado promissor dos últimos estudos não indica que a descoberta conduzirá a um tratamento antienvelhecimento para pessoas. Apesar disso, há quem tenha testado algo parecido pela própria conta e risco.
O interesse no assunto se reacendeu quando um empresário revelou gastar US$ 2 milhões ao ano para fazer todos os tratamentos disponíveis em uma tentativa de voltar a ter 18 anos. Dentre eles, uma transfusão de plasma sanguíneo com seu filho, de 18 anos.
Bryan Johnson, de 45 anos, acabou por interromper esse tratamento, uma vez que não foram observados benefícios, não alterando os parâmetros biológicos relacionados ao envelhecimento.
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Além disso, ele também desistiu de usar o hormônio HGH após um teste de 110 dias, que trouxe alguns efeitos colaterais, como aumento da pressão intracraniana, queda de 15% na variabilidade da frequência cardíaca, dores de cabeça e aumento da glicose no sangue.
Fonte: G1