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Rio tem domingo quente e com fumaça de queimadas, vinda do Norte, no céu
Foto: Reprodução

Durante a semana, temperatura segue estável e não deve chover

O domingo amanheceu quente e desconfortável no Rio. Com temperatura máxima prevista de 35º C, os cariocas ainda precisam lidar com a sensação de ar mais pesado neste fim de semana. E isso não é resultado apenas da onda de calor no país e da falta de chuva. A cidade sofre com o impacto das queimadas da Amazônia, Cerrado e Pantanal, que deixaram a poluição do ar por aqui seis vezes acima do recomendado pela OMS já no sábado — o que, obviamente, traz riscos à saúde.

 

Segundo Wanderson Luiz, meteorologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, imagens de satélite deste domingo mostram que o céu nublado no Rio é resultado de um fraco nevoeiro, mas a maior parte é fumaça com aerossóis provenientes das queimadas.

 

— Essa fumaça de queimadas sobe acima de 3 km e lá em cima não se choca com nada. Então, na atmosfera livre, consegue viajar longas distâncias. Percorre o mesmo caminho de uma chuva, até a Cordilheira dos Andes, onde se choca e é desviada para o Sudeste — explica Adriana Gioda, do Laboratório de Química da PUC-Rio.

 

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As fuligens, de acordo com ela, sobem as temperaturas por onde passam e diminuem a possibilidade de chuva — agravando o quadro de calor já esperado no Rio.

 

— A massa de ar seca e quente ainda está atuando, o que significa temperaturas em elevação e baixa umidade. Como na cidade do Rio tem um fluxo de humidade, tende a ficar em torno de 30%. Não está no aviso amarelo, de 20% a 30%. Mas tem que chamar atenção, por causa do transporte poluente — avalia Andrea Ramos, meteorologista do Inmet.

 

Ao longo da semana, aponta Andrea, vai prevalecer o tempo quente e a humidade ainda pode diminuir. De acordo com o Alerta Rio, na segunda e na terça-feira, o céu varia de claro a parcialmente nublado e o vento, de fraco a moderado. As temperaturas seguem estáveis, entre 17º C e 34º C, sem chuva. Na quarta, o céu estará parcialmente nublado e na quinta-feira, de claro a parcialmente nublado. O vento será moderado nos dois dias, e as temperaturas ficarão entre 19º C e 34º C. Continua sem chover.

 

ENTENDA O PERCURSO DA FUMAÇA

 

De acordo com Gioda, as queimadas no Brasil são dificilmente naturais, ou seja, a grande maioria são provocadas em queimas de florestas para uso da área como pasto. O calor e a seca, no entanto, potencializam o fogo, dificultando o controle e afetando áreas enormes.

 

— Os impactos são muitos, não só para as pessoas que estão naquelas regiões. O impacto financeiro é óbvio, já que o governo precisar realocar verbas para apagar esse fogo. E tem o impacto na saúde já que essas partículas de fuligem são muito tóxicas. Além da perda da biodiversidade diretamente — diz.

 

Entre sexta (6) e sábado (7), foram registrados 8225 focos de calor no país, de acordo com dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Mais da metade acontece no Mato Grosso (33% do total) e no Pará (27%), mas a fumaça tem se espalhado desde sábado, atingindo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio. O movimento acontece porque um forte corredor de ar desce do Norte do país até o Sul, passando inclusive por Bolívia e Paraguai. Depois, ele é "empurrado" para o Sudeste, devido ao ar frio do polo sul. Essa dinâmica é normalmente chamada de "rios voadores", pois traz a umidade da Amazônia e favorece as chuvas no Centro-Sul do país. Mas, com a seca e as queimadas, o corredor vem trazendo fumaça e calor.

 

Na quinta-feira, imagens já mostravam uma neblina intensa no Rio. Às 15h deste sábado, foi possível observar, nos satélites, partículas de queimadas vindo desde o extremo oeste da Amazônia Legal até o norte do Rio Grande do Sul, fazendo uma curva no litoral do Sul até chegar ao Rio de Janeiro e Espírito Santo, explica Henrique Bernini, pesquisador de sensoriamento remoto.

 

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— No mesmo horário, as queimadas no sudoeste do Pará têm suas colunas de fumaça em direção ao sudoeste da Amazonia e, após a corrente de ar direcionar para o Sul, se junta aos grandes incêndios da fronteira entre Brasil e Bolívia, no Mato Grosso — explica Bernini: — Esse cenário é de guerra. Esse tanto de fumaça é suficiente para tornar a Amazônia um dos lugares que mais contribui para as mudanças climáticas, enquanto deveria ser o lugar com maior potencial de reverter a situação.

 

Fonte: Extra

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