Economistas afirmam que é possível melhorar os gastos públicos cortando desperdícios. Eles também apontam ser necessária uma reforma administrativa para enxugar a máquina pública.
O rombo na Previdência Social é um dos maiores pesos no desequilíbrio das contas públicas.
Oficialmente, nada mudou. A previsão de déficit zero segue no Orçamento de 2024. Ou seja, a promessa de equilíbrio nas contas públicas, equiparando as despesas às receitas. Mas o governo já prevê um rombo de R$ 141 bilhões em 2023.
Para cumprir o tão falado déficit zero é preciso que o governo corte despesas enquanto busca formas de aumentar a arrecadação. A equipe econômica já sabe que para alcançar a meta vai precisar cortar pelo menos R$ 50 bilhões nos gastos públicos já nos primeiros meses de 2024.
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E muitos especialistas apontam que o governo tem priorizado as medidas de aumento de arrecadação, deixando em segundo plano o ajuste das despesas.
“O modelo foi aumentar os gastos fortemente e, depois, correr atrás da receita para financiar esse aumento de gastos. Então, chegou o momento de encontrar receita, e o governo não está encontrando receita. A despesa cresceu muito, a despesa esse ano deve ficar 8,5% acima da inflação, maior do que a do ano passado. Então, o primeiro ponto é parar de aumentar as despesas e o segundo ponto é que o nosso orçamento é muito engessado. Você não consegue cortar despesas de uma hora para outra”, explica Marcos Mendes, professor do Insper.
O Orçamento é bastante engessado, o governo não pode mexer: benefícios previdenciários alcançam quase R$ 900 bilhões; os gastos com pessoal, folha de pagamento, mais R$ 350 bilhões.
Mas, ainda assim, economistas afirmam que é possível, sim, melhorar os gastos públicos cortando desperdícios.
“Quando você melhora a eficiência daquele gasto, de repente você vai ter menos demanda para aumentá-lo no futuro, porque com a mesma quantidade de recursos, você vai conseguir atender uma maior parcela da população. Então, eu acho que é uma agenda que tem algum futuro, eu acho que é super importante rever gastos que são ineficientes”, afirma Guilherme Tinoco, economista da FGV IBRE.
Economistas também apontam ser necessária uma reforma administrativa para enxugar a máquina pública, rever salários e a estabilidade no serviço público. Uma proposta foi apresentada no governo passado, em 2020, foi aprovada em duas comissões, mas não andou. E o governo vai ter ainda que administrar a vontade do Congresso Nacional de aumentar gastos.
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“O Congresso aumentou tremendamente as despesas com emenda parlamentar, financiamento de partidos e financiamento de eleições. Então existe, tanto do lado do Executivo quanto do lado do Legislativo, muito incentivo para aumentar despesa. E, agora, chegou a hora de entregar receita para cobrir essa despesa toda e o governo não está conseguindo essa receita”, diz Marcos Mendes.
Fonte: G1