Porta-voz do Kremlin afirmou que operação militar especial, terminologia preferida das autoridades russas ao longo do conflito, transformou-se em guerra devido à participação de países alheios ao conflito
A Rússia lançou cerca de 150 mísseis e drones contra a Ucrânia, nesta sexta-feira, no segundo dia consecutivo de ataques aéreos em larga escala contra o território inimigo. A ação, que deixou ao menos dois mortos e mais de uma dezena de feridos, ocorre no momento em que Kiev pressiona seus aliados por mais equipamentos de defesa antiaérea, e no mesmo dia em que a Moscou denunciou a participação do Ocidente como responsável por tornar o que era um conflito limitado em uma guerra.
De acordo com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, mais de 60 drones Shahed, de fabricação iraniana, e quase 90 mísseis de diversos tipos foram disparados durante a noite pela Rússia, contra uma série de cidades ucranianas. O balanço do Ministério do Interior ucraniano aponta que ao menos duas pessoas morreram e 14 ficaram feridas. Há três desaparecidos.
Os bombardeios atingiram a região de Kharkiv, incluindo a capital da província do nordeste, Zaporijia, no sul, Sumy, na região norte, Poltava e Dnipro, no centro, Odessa, no sul, Khmelnytsky, Vinnytsia e a região de Frankivsk, no oeste. Ontem, um ataque também massivo, mas de menor dimensão, mirou Kiev e suas imediações.
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De acordo com as Forças Armadas da Ucrânia, a defesa antiaérea derrubou 55 drones Shahed, dos 63 lançados, e 37 mísseis dos 88. A taxa de interceptações é menor do que a do dia anterior, quando os militares disseram ter impedido a detonação de 31 mísseis.
O impacto dos projéteis também causou danos às linhas de energia elétrica que abastecem a central nuclear ucraniana de Zaporíjia, ocupada por Moscou, segundo o ministro ucraniano da Energia, Guerman Galushchenko. Ele classificou o bombardeio como "o maior ataque contra a indústria energética ucraniana dos últimos tempos".
A série de ataques aéreos russos se intensifica pouco depois de seu presidente reeleito, Vladimir Putin, prometer retaliação às ofensivas ucranianas contra territórios fronteiriços, principalmente Belgorod, onde forças russas pró-Ucrânia realizam ataques e ações de sabotagem.
This night, Russia launched over 60 "Shahed" drones and nearly 90 missiles of various types at Ukraine. The world sees the Russian terrorists' targets as clearly as possible: power plants and energy supply lines, a hydroelectric dam, ordinary residential buildings, and even a… pic.twitter.com/5dX2fAMMiE
— Volodymyr Zelenskyy / ????????? ?????????? (@ZelenskyyUa) March 22, 2024
Uma dessas ações, nesta sexta, provocou a morte de uma mulher morreu e deixou vários feridos na região, segundo o governador de Belgorod, Viacheslav Gladkov. O Ministério da Defesa afirmou que destruiu oito foguetes que sobrevoavam a área, disparados a partir da Ucrânia.
Em meio às disputas no campo de batalha, as autoridades russas também voltam a atenção para a frente política do conflito. Enquanto membros da União Europeia decidem como utilizar ativos russos congelados em contas no exterior para abastecer a Ucrânia, o Kremlin voltou a acusar os ocidentais de escalarem a situação no Leste Europeu.
— Estamos em estado de guerra. Sim, isto começou como uma operação militar especial, mas quando se formou este bando, quando o Ocidente participou em tudo isto ao lado da Ucrânia, para nós, tornou-se uma guerra — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em entrevista a um canal de mídia pró-governo.
O uso do termo guerra não é inédito. Ainda em 2022, Putin referiu-se ao conflito, publicamente, usando a terminologia, assim como vários funcionários de alto escalão, mas a maioria em referência ao que consideram a guerra que o Ocidente trava contra a Rússia ao apoiar a Ucrânia. A maioria das comunicações oficiais e autoridades russas, contudo, utilizavam o eufemismo "operação militar especial", definida no começo da ofensiva, para dar a dimensão de uma ação limitada.
Questionado sobre o destino das pessoas condenadas pelo uso da palavra "guerra", Peskov deu a entender que o uso do termo com a intenção de criticar a Rússia continuará proibido.
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— A palavra guerra é utilizada em diferentes contextos. Comparem o meu contexto com os casos citados destas pessoas — disse o porta-voz. (Com AFP)
Fonte: O Globo