O ex-juiz federal Flávio Roberto de Souza, preso nesta terça-feira, 21, ficou nacionalmente conhecido após ser flagrado dirigindo um Porsche de Eike Batista que havia sido apreendido por ordem dele mesmo. O episódio aconteceu em 2015, quando o magistrado era o responsável pelo processo contra o empresário.
Flávio Roberto também mantinha em seu apartamento um piano de Eike. Além dos bens, ele também guardava dinheiro do empresário, que também tinha sido apreendido. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Flávio Roberto se apropriou de maneira ilegal tanto de parte do valor apreendido como de bens de Eike. A denúncia foi feita com base em uma ordem proferida pelo ex-juiz em 2015.
À época, Flávio determinou que a Polícia Federal recolhesse R$ 90 mil em espécie, além do piano e da Porsche. Todos os bens foram apreendidos na Mansão de Eike, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro. Em sua atuação à frente do caso envolvendo o Eike, Flávio Roberto foi tão midiático quanto o próprio empresário.
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Além de chamar atenção pela celeridade com que passou a conduzir a ação criminal e por determinar medidas como a busca e apreensão de bens na casa do empresário e de sua ex-mulher, Luma de Oliveira, Souza ganhou notoriedade pelas declarações polêmicas dadas à imprensa no decorrer do processo.
Sem papas na língua, o juiz nunca se esquivou de opinar sobre Eike, criticando o que classificou de "sonho megalomaníaco de se tornar o homem mais rico do mundo". Em entrevista ao Fantástico, Souza apontou a "ostentação" no padrão de vida levado pelo empresário e sua família apesar das dívidas bilionárias contraídas. Ao jornal Extra chegou a afirmar que iria "esmiuçar a alma dele (Eike). Pedaço por pedaço"
.Em 2015, o ex-juiz, que atuava na 3ª Vara Federal Criminal do Rio, foi afastado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) do processo que tinha Eike como réu. Em 2017, Souza perdeu o cargo na magistratura. O ex-juiz foi condenado em segunda instância a 52 anos e dois meses de prisão por peculato e fraude processual em dezembro passado.
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A decisão foi do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Por isso, o ex-juiz foi levado à prisão nesta terça-feira. Em 2018, a Justiça do Rio de Janeiro condenou Flávio em outros 2 processos envolvendo sua conduta como juiz. Em um das ações, ele foi acusado de ter obtido R$ 106 mil com a venda do carro do traficante espanhol Oliver Ortiz, preso em uma operação da Polícia Federal.
Fonte:Terra