Aos 29 anos, atacante garante que parou de beber, cita arrependimento por soco em Mayke e explica foto com milhares de reais no Botafogo: Nunca tinha visto aquela dinheirama toda
Luiz Ricardo Alves vive sua melhor versão. Aos 29 anos, o atacante que ficou famoso pelo apelido de Sassá trocou as polêmicas que marcaram o início da carreira por gols e o título da Série C do Brasileiro, considerado por ele próprio o mais importante da sua trajetória no futebol.
Revelado pelo Botafogo e com passagens por Cruzeiro, Coritiba, Oeste, Náutico, Marítimo-POR, CSA e Athletic, foi no Amazonas que o jogador se reencontrou com os bons momentos que chamaram a atenção nos primeiros anos de carreira. Para isso, diz ter largado a bebida alcoólica e contratado profissionais para ajudá-lo fora de campo.
Tinha que dar um rumo na minha vida. Foi quando comecei a focar, parei com tudo de bebida e o que poderia me atrapalhar. Fiz um ano só de treinamento e dieta, mais nada" — Sassá
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Da polêmica foto ostentando dinheiro até o soco em Mayke (relembre abaixo), Sassá abriu o coração e disse, em entrevista exclusiva ao ge, ser uma nova pessoa. Agora, quer reconstruir a carreira e retomar o seu espaço no cenário nacional.
– Tive a minha segunda chance, tive e não abri mão. Pude dar a volta por cima na minha vida, sou campeão brasileiro, maior artilheiro de todas as divisões.
– Eu escolhi mudar e mudei. Graças a Deus, tive a segunda chance, nem todo mundo tem. Hoje, tenho as experiências de tudo que fiz e do que aconteceu, mas as coisas mudaram – disse Sassá.
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Sassá comemora um dos 18 gols marcados pelo Amazonas
em 23 jogos nesta temporada (Foto: João Normando)
O atacante encerrou a temporada com 18 gols em 23 jogos pelo Amazonas, primeiro clube do estado a ser campeão nacional. O bom desempenho no clube rendeu ao atacante o título de cidadão amazonense e uma inesperada idolatria.
– Foi uma temporada muito produtiva, bastante assertiva. Uma temporada boa para a minha carreira, que vinha precisando, de números muito altos em quantidade de jogos, minutagem e gols. Fico bastante feliz por tudo que Deus fez pela minha vida.
– Estava em uma fase na minha carreira que eu precisava voltar a jogar. Foi uma oportunidade muito boa que apareceu, consegui voltar ao cenário sendo artilheiro de uma competição nacional, com o time campeão. O estado parou, a gente na rua recebendo o carinho do povo foi uma coisa fantástica. A melhor decisão da minha vida foi ir para o Amazonas – disse.
Sassá comemora gol pelo Amazonas na Série C
do Brasileiro (Foto: Deborah Melo/FAF)
INÍCIO NO BOTAFOGO E DAS POLÊMICAS
Tratado com uma das grandes promessas recentes do Botafogo, Sassá surgiu no clube em 2012. Após empréstimos para Oeste e Náutico, o atacante retornou para viver as suas duas melhores temporadas. Foram 31 gols marcados entre 2015 e 2017, sendo um dos símbolos da arrancada da zona do rebaixamento para a vaga na Libertadores no Brasileirão de 2016.
– O Botafogo me deu a base de tudo, fiquei lá dez anos entre base e profissional. Sou o quinto artilheiro do século, um clube que estendeu a mão em um dos piores momentos da minha vida, que foi na perda da minha mãe. Fui emprestado, machuquei, voltei e fui vice-artilheiro do Brasileirão de 2016 saindo da lanterna e indo para a Libertadores. Foi ali que me projetei – relembrou.
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Sassá em ação pelo Botafogo na Conmebol
Libertadores (Foto: AFP)
A falta de valorização salarial e o desacordo com a gestão da época, segundo ele, foram determinantes para a não renovação do contrato. O atacante foi sondado pelo futebol russo, chinês e pelo Palmeiras, mas optou por acertar com o Cruzeiro. Na apresentação, acabou provocando o Botafogo ao dizer que "aqui no Cruzeiro é outra coisa, é time grande".
– Acabei dando uma declaração infeliz, só quem está vivendo na pele sabe o que passei. Fui artilheiro do campeonato, contrataram jogadores ganhando três vezes mais do que eu ganhava, não queria nada de mais e ser um pouco mais reconhecido. Foi o clube que projetou, me deu suporte e tudo que tenho. Não vou colocar a culpa na idade, mas aconteceu um episódio mal interpretado, mas logo isso passa.
O Botafogo está no meu coração e nunca vai sair. O time está bem e tomara que seja campeão" — Sassá
DINHEIRO NA MÃO É VENDAVAL...
Um episódio que marca a carreira de Sassá até hoje é a foto ostentação publicada pelo atacante em 2016 após o Botafogo garantir a vaga na Pré-Libertadores. A vitória fora de casa sobre o Grêmio rendeu um bicho (premiação) aos jogadores. Foi quando o Sassá teve a ideia de posar com o dinheiro.
– A resenha que todo mundo mais fala é a foto com dinheiro, marcou bastante. Foi uma brincadeira infeliz, mal feita e que ficou no passado. Aquilo ali foi um bicho que a gente ganhou, aquele dinheiro nem era meu. Fui o primeiro a chegar na sala para pegar o bicho.
Eu nunca tinha visto aquela dinheirama toda. Pedi para tirar uma foto, fiz fotos piores que aquelas e acabou dando ruim"— Sassá.
– Um Natal bonito daquele que eu ia ter, foi uma brincadeira que não entenderam e levaram para outro lado. Foi a reação de quem nunca tinha visto aquilo, achei maneiro e infelizmente entenderam errado. Mas valeu o aprendizado – brinca o atacante.
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Sassá segurando maços de dinheiro na época que
defendia o Botafogo (Foto: Reprodução)
Do arrependimento pelas polêmicas ao discernimento do aprendizado com o holandês Clarence Seedorf. No primeiro ano como profissional, ainda aos 17 anos, Sassá teve a oportunidade de conviver com um dos maiores reforços da história do Botafogo.
– Peguei o Seedorf assim que ele chegou, me ajudou bastante mesmo não conseguindo entender muito bem na época porque tinha 17 anos com uma cobrança muito grande para melhorar e sempre estar focado. Hoje consigo entender tudo que ele queria passar, meu primeiro gol foi passe dele contra o Flamengo. Ele me ajudou bastante mesmo sem eu saber que estava me ajudando, hoje consigo ver isso.
– É um cara que sempre quer extrair o seu melhor, não deixava ninguém na zona de conforto. Não estávamos acostumados com isso no Brasil, mas os ensinamentos dele hoje vejo que fazem muito sentido.
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Seedorf na passagem pelo Botafogo entre 2012 e 2013
(Foto: Vitor Silva / SSPress)
PASSAGEM PELO CRUZEIRO E O SOCO EM MAYKE
Sassá fez apenas 92 jogos com a camisa do Cruzeiro ao longo dos quatro anos de contrato. Foram 20 gols marcados e o título da Copa do Brasil de 2018. No ano seguinte, porém, o atacante fez parte do elenco que acabou rebaixado para a Série B do Brasileiro.
O episódio mais marcante da passagem de Sassá pelo Cruzeiro foi a confusão que ele se envolveu na semifinal da Copa do Brasil de 2018, contra o Palmeiras. No jogo disputado no Mineirão e que acabou com classificação mineira, Sassá deu um soco no lateral Mayke, do time paulista.
– Aquele episódio foi coisa de calor do jogo, semifinal de Copa do Brasil, jogo brigado lá e cá. Infelizmente tive aquela atitude que me arrependo até hoje, mas não tem como voltar mais. A vida é um desenho sem borracha, não tem como você apagar. Tenho outra cabeça, postura e vivo outro estilo de vida.
Sassá diz que nunca teve a oportunidade de conversar com Mayke, que segue defendendo o Palmeiras, sobre o episódio. Apesar disso, acredita que uma conversa deve colocar um ponto final na briga que começou há cinco anos.
– O próximo jogo que ia ter, o Mano achou melhor não me levar por tudo que tinha acontecido. Não tive oportunidade de conversar com ele, mas uma hora a gente vai se esbarrar e vai ficar tudo bem.
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Mayke, do Palmeiras, e Sassá, do Cruzeiro, brigam após jogo válido
pela semifinal da Copa do Brasil (Foto: Fernando Calzzani /
Photopress / Estadão Conteúdo)
O soco acabou rendendo um gancho de 12 jogos a Sassá, que não esteve em campo na final e no título do Cruzeiro da Copa do Brasil de 2018. Além disso, o atacante ficou fora da premiação paga pelo clube aos jogadores.
Peguei dois meses, 12 jogos de suspensão, fiquei fora da final. Naquela época, a Copa do Brasil estava pagando muito. Foi um valor significativo, dava pra comprar um apartamento" — Sassá sobre premiação da Copa do Brasil de 2018.
MUDANÇA DE VIDA
As seguidas lesões no Cruzeiro e o período de quase um ano sem jogar mexeram com a cabeça de Sassá, que optou por uma mudança completa de vida. Segundo ele, a ajuda de profissionais para cuidar da mente e do corpo foram fundamentais para adotar outro estilo de vida.
– Não estava conseguindo treinar, sentia muita dor no joelho ainda e não estava com força suficiente. Sempre fui um jogador forte e não estava conseguindo desempenhar meu trabalho. Isso não era só treinar, fiquei muito tempo parado e comecei a buscar profissionais que pudessem me ajudar a solucionar essa situação.
O meu problema nunca foi dentro de campo. Foi mais o extracampo" — Sassá.
– Fiz quatro meses de contrato com o CSA, não renovei no meio do ano, foi bastante difícil e não tinha mais plano B, só tinha o A. Tinha que dar um rumo na minha vida, foi quando comecei a focar, parei com tudo de bebida e o que poderia me atrapalhar. Fiz um ano só de treinamento e dieta, mais nada. Creio que tudo que estou vivendo hoje eu plantei lá atrás e esse ano colhi tudo o que plantei.
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Sassá comemora acesso do Amazonas para a Série B do
Brasileiro de 2024 (Foto: João Normando)
Com contrato com o Amazonas até o fim de novembro, o atacante ainda não definiu o futuro. A única certeza é o desejo de seguir próximo aos familiares.
– Sou muito novo, ainda tenho 29 anos e com o currículo que tenho e com toda a rodagem estou feliz, vivendo uma vida tranquila com a minha família e filhos. Minhas férias e minha folga são para eles. Por muito tempo não escolhi isso, quero escolher ser feliz com a minha família porque estando bem fora de campo estou bem dentro.
Sassá na passagem pelo Amazonas: 18 gols em 23 jogos na Série
C do Brasileiro (Foto: Jadison Sampaio/AMFC)
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– Pecava muito extracampo. Estou tendo uma vida muito boa, nem tanto pela parte financeira, mas minha vida mudou, minha esposa feliz dentro de casa porque ela passou muita coisa. Deus transformou a minha vida. Estou feliz – finalizou Sassá.
Fonte: GE