Sergio Moro e Flávio Bolsonaro
Assessores parlamentares do Senado engajados no fim das “saidinhas” dos presídios em datas comemorativas, aprovado ontem no Senado, viram em emendas propostas por Sergio Moro e Flávio Bolsonaro, relator do tema, como a motivação de um “atraso” indiretamente favorável ao governo no desfecho do projeto, que já está há 14 anos no Congresso.
Isso porque as emendas levaram a mudanças no texto aprovado pela Câmara em 2022 e, agora, os deputados terão que deliberar novamente sobre o fim do benefício concedido aos detentos. Assim, Lula e seus auxiliares, com destaque para Ricardo Lewandowski, ganharam mais tempo para possíveis articulações contrárias à medida antes que ela chegue à fase da sanção presidencial.
Ainda que a aprovação do projeto seja iminente (e urgente) também na Câmara, a exemplo do que aconteceu no Senado, esses assessores avaliam que, sem as adições de Moro e de Flávio (que como relator acolheu sugestão do colega), Lula teria que lidar já a partir de hoje com as pressões para vetar ou sancionar a lei. O presidente, enquanto a Câmara delibera, ganhou tempo extra para se mexer.
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Ontem, no Senado, o governo liberou sua bancada para votar como preferisse, uma vez que líderes de partidos da base tinham direcionado seus quadros a favor da proibição.
Nos gabinetes da oposição, ninguém avalia, é claro, que Moro e Flávio tenham agido propositalmente para beneficiar o “relógio” do governo. Mas há um entendimento de que as emendas, embora legítimas, poderiam ser poupadas em nome da celeridade na finalização dos trabalhos.
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Enquanto Moro atuou para garantir que presos possam continuar estudando fora das unidades, Flávio agiu para dar à lei o nome do PM Roger Dias da Cunha, morto em janeiro durante uma perseguição em Belo Horizonte contra um foragido da “saidinha” de Natal.
Fonte: O Globo