Em um mundo cada vez mais agitado, comer um doce para obter felicidade momentânea e satisfazer seu desejo é uma fuga. Mas a pergunta que mais fazemos hoje em dia é: será que somos todos viciados em açúcar?
Cada vez mais as pessoas se questionam se o açúcar tem o poder de causar uma dependência química, como uma droga. Este questionamento, e outros mais que são associados ao consumo deste aditivo alimentar, justifica o aumento nos estudos científicos que buscam compreender, de maneira clara, qual é a sua atuação em nosso corpo.
Visto que nos últimos anos, temos uma população com elevados índices de diabetes e obesidade, doenças crônicas que podem estar relacionadas aos excessos alimentares, inclusive o de açúcar.
Comecemos a nossa conversa explicando que, em termos metabólicos, “açúcar é açúcar” ou seja, independentemente de ser refinado, mascavo ou demerara, traz efeitos não só ao pâncreas (quando consumido estimula a liberação de insulina), como para o tecido adiposo, promovendo formação de gordura corporal quando consumido em excesso, e para outros órgãos, como o cérebro.
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Claro que ao compararmos os diferentes tipos de açúcares, o refinado tem uma menor quantidade de minerais devido ao elevado processo de industrialização, porém, todos tem uma capacidade muito similar de elevar a glicemia.
Durante o dia, quando sentimos o desejo de consumir açúcar ou alimentos doces e de fato o consumimos, muitas substâncias são liberadas, sendo uma delas a dopamina, que ativa uma via chamada de mesolímbica ou nosso sistema de recompensa.
Vale ressaltar que o sistema de recompensa pode ser encarado como uma função adaptativa, relacionada ao cumprimento de nossas vias básicas de sobrevivência; logo se você ceder a este desejo, o mesmo será “reconhecido” e ativado, trazendo à tona uma grande sensação de prazer, que reforça o quão “gostoso” é comer alimentos doces, no caso do nosso exemplo atual é a mesma será frequentemente ativada em situações muito semelhantes, trazendo um padrão de condicionamento.

“açúcar é açúcar” ou seja, independentemente de
ser refinado, mascavo ou demerara
(Foto: Reprodução)
Algumas literaturas apontam que este caminho metabólico pode, a médio e longo prazo, criar uma espécie de tolerância que terá como consequência o aumento da dose para induzir a mesma sensação, fazendo com que muitos pesquisadores associam esta vontade do consumo de açúcar com a mesma sensação induzida pelo consumo de outras drogas caracterizando, portanto, um vício.
Este é certamente um assunto muito instigante e polêmico, e que traz à tona muitas pesquisas na tentativa de esclarecer claramente os mecanismos que ainda são desconhecidos em sua totalidade. Ao traçarmos um paralelo com a alimentação atual da maior parte da população brasileira e mundial, encontraremos elevada frequência no consumo de alimentos industrializados e, consequentemente, com elevado teor de açúcares, reforçando este padrão ao qual estamos conversando por aqui. Porém, é essencial destacar que estamos fazendo um recorte de algo que é multifatorial, ou seja, recebe a influência de inúmeros fatores, no entanto, é indiscutível a necessidade de maior controle acerca das quantidades consumidas de açúcar e alimentos que possuem elevada quantidade dele, para a nossa saúde de forma geral.
As pesquisas nesta área são promissoras, mas muitas devem ser replicadas em humanos para observarmos se os desfechos acontecem de forma similar, ou ainda idêntica. Logo, uma pergunta vem à tona: o açúcar pode viciar?
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No entanto, muito ainda temos que estudar e compreender, inclusive o mecanismo pelo qual outras substâncias como o sal e os edulcorantes (aspartame, sucralose e stevia) atuam neste mesmo sistema, já que a complexidade de nosso cérebro é grande e os mecanismos envolvidos são múltiplos, porém, é certo que o controle e consumo mínimo do açúcar de adição é uma necessidade real, seja para evitar o desenvolvimento do diabetes ou obesidade, seja para evitar o despertar deste nosso sistema de recompensa, ainda incompreendido.
Fonte: Bem Estar