NOTÍCIAS
Política
Sob ameaça de golpe, governo de transição teve embates entre futuros ministros de Lula e boicote de militares
Foto: Reprodução

O episódio ilustra o clima nos 61 dias de espera pela posse do petista, enquanto um grupo com participação de militares

O episódio ilustra o clima nos 61 dias de espera pela posse do petista, enquanto um grupo com participação de militares, segundo a investigações da Polícia Federal, preparava um golpe para manter Jair Bolsonaro no poder. O período também foi marcado por embates dentro da equipe do futuro governo sobre como lidar com os acampamentos instalados na frente dos quarteis e com a segurança do presidente eleito.

 

Auxiliares de Lula que participaram da transição contam que só se deram conta do risco exato que o presidente corria com o avanço das apurações da PF ao longo deste ano. O dia 15 de dezembro, por exemplo, passou batido. Na data, as investigações mostram que havia um plano para matar o petista, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

 

Desde o fim do primeiro turno da eleição, havia nas hostes petistas preocupação com a situação das Forças Armadas. Reuniões entre Perpétua, a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e os ex-ministros da Defesa dos governos petistas Celso Amorim e Nelson Jobim ocorreram em São Paulo para discutir o assunto. O diagnóstico era que havia uma maioria bolsonarista nas tropas.

 

Veja também 

 

Próximo chefe da Câmara terá 11 CPIs na gaveta para pressionar Lula

 

Embaixada de Omã recebe convidados para agradecer apoio em missão diplomática

Com a vitória de Lula, aliados passaram a quebrar a cabeça para escolher o novo ministro da Defesa. Militares consultados queriam Aldo Rebelo, que havia ocupado o posto no segundo mandato de Dilma Rousseff, mas ele já havia iniciado o seu movimento de distanciamento de Lula e da esquerda. Citado pela imprensa, Ricardo Lewandowski, ministro do Supremo Tribunal Federal, enfrentava forte resistência nos comandos militares justamente por fazer parte da Corte.

 

Perpétua, então, sugeriu o nome de José Mucio Monteiro. Além de ter uma carreira política em partidos de direita, ele tinha amizade com Bolsonaro dos tempos em que foram deputados federais juntos, o que seria importante naquele momento. Anunciado na primeira leva de ministros, em 9 de dezembro, Mucio passou a buscar conversar com os comandantes militares. Mas, por dias, foi solenemente ignorado.

 

Sob ameaça de golpe, governo de transição teve embates entre futuros  ministros de Lula e boicote de militares

Foto: Reprodução

 

Sem outra alternativa, concluiu que precisaria recorrer a Bolsonaro. Sua mulher o alertou que, para evitar fofocas, era prudente avisar Lula de sua intenção. — Faça o que achar que deve fazer. Você nem falou comigo sobre isso — respondeu Lula, lavando as almas.

 

Múcio foi ao Alvorada, onde Bolsonaro havia se refugiado depois da derrota eleitoral. O então presidente se prontificou a ajudar a ligou imediatamente aos comandantes com a orientação de que conversassem com o futuro ministro de Lula.

 

O general Freire Gomes, então, recebeu Mucio no QG do Exército, em Brasília. Foi gentil e lembrou que havia conhecido no passado o pai do ministro. Mas foi enfático em dizer que gostaria de deixar o cargo antes de Lula assumir a Presidência. Na prática, o general não queria bater continência para o petista. O comandante da Aeronáutica, Baptista Junior, teve a mesma postura: conversou com Mucio, mas pediu para deixar o cargo antes de Lula assumir.

 

Já Guarnier, único dos comandantes militares que, segundo as investigações, colocou as suas tropas à disposição do plano golpista, não aceitou receber o ministro indicado por Lula nem depois do pedido de Bolsonaro.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram

Entre no nosso Grupo de WhatAppCanal e Telegram

 

Perpétua Almeida havia trabalhado com Guarnier no Ministério da Defesa no tempo de Aldo Rebelo. Os dois assessoram o ministro durante a gestão Dilma. Antes de ir ao almirante com o apelo para que ele passasse o cargo ao sucessor, a deputada do PCdoB havia tentado convencê-lo a receber Múcio.

 

Fonte: Folha de São Paulo

LEIA MAIS
Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.