Disputa de poder entre Exército e paramilitares já deixou mais de 3.900 mortos desde abril
O conflito entre o Exército e os paramilitares no Sudão, deflagrado em abril, deixou milhares de cadáveres em decomposição nas ruas, uma ameaça que pode causar epidemias, alertou a ONG Save the Children nesta terça-feira.
"Milhares de cadáveres se decompõem nas ruas de Cartum e arredores, enquanto os necrotérios são sobrecarregados por cortes de energia", disse a organização em um comunicado.
A guerra entre o Exército liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhan e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FAR) deixou mais de 3.900 mortos, segundo a Acled, ONG especializada em coleta de dados desagregados de conflitos, análise e mapeamento de crises. Os refugiados e deslocados passam dos 4 milhões, de acordo com um balanço da ONU.
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"A impossibilidade de dar um funeral digno aos que morrem aumenta o sofrimento das famílias em Cartum", afirmou o diretor da divisão de saúde de Save the Children, Bashit Kamal Eldin Hamid.
Há meses, várias ONGs advertem sobre o risco de águas estagnadas que podem espalhar epidemias de malária, dengue, ou cólera. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, informou que casos de cólera e sarampo foram detectados em várias regiões.
Após quatro meses de conflito interno, bombardeios aéreos e disparos de artilharia ainda são sentidos na capital sudanesa. Na segunda-feira, obuses caíram sobre as casas em Omdurman, no subúrbio de Cartum, segundo relatos de moradores à AFP.
O Exército e os paramilitares ordenaram a retirada de civis do bairro de Abu Ruf, considerado uma “zona de operações”, depois que as forças regulares lançaram bombardeios aéreos e disparos de artilharia na ponte de Shambat para cortar o acesso das FAR, que a utilizam para levar suprimentos a Bahri, do outro lado do Nilo, informou um morador.
— A maioria dos habitantes de Abu Ruf fugiu por causa dos disparos de foguetes — disse outra testemunha.
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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% dos hospitais do país não funcionam e os que funcionam estão sujeitos a ataques e saques.
Fonte: O Globo