Homem era segurança terceirizado e responde a quatro inquéritos semelhantes; A polícia não revelou sua identidade.
Na última semana quatro mulheres denunciaram à delegacia de Boa Viagem, no Recife, que foram estupradas em uma sala dentro do Aeroporto Internacional dos Guararapes por um funcionário terceirizado da segurança que as havia convocado para uma falsa entrevista de emprego. O suspeito foi indiciado nesta sexta-feira (7) pelos crimes sexuais contra as quatro vítimas.
As investigações não revelaram a identidade do homem, apenas confirmaram que é funcionário terceirizado, vinculado à GPS Predial Sistemas de Segurança Ltda. A empresa, por sua vez, anunciou que o desligou do seu quadro de funcionários após as denúncias.
Com o indiciamento, os documentos da investigação – que contam com imagens de câmeras de segurança, boletins de ocorrência e depoimento de vítimas e testemunhas – irá para o Ministério Público que decidirá se oferece, ou não, uma denúncia contra o suspeito.
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Duas vítimas têm 23 anos e as outras duas têm 37. Três delas procuraram as autoridades da Delegacia de Boa Viagem na sexta-feira (30), apenas um dia depois de serem estupradas dentro de uma sala do aeroporto de Recife, onde fariam uma suposta – e falsa – entrevista de emprego. A outra vítima fez a denúncia dias após o caso ser divulgado na imprensa.
As vítimas contaram a mesma história. Chegaram ao aeroporto e encontraram o local da suposta entrevista, uma sala localizada em terminal de carga. Lá chegando, foram trancadas pelo suspeito que alegou que para realizar a esperada entrevista de emprego, deveria antes fazer uma revista nas partes íntimas das vítimas. Em seguida os estupros teriam ocorrido.
As falsas entrevistas e os consequentes estupros ocorreram individualmente. O suposto recrutador ainda teria mostrado uma arma, ao lado do seu pênis, para uma das vítimas e em seguida abaixado suas calças. Ele estaria, em teoria, demonstrando como se fazer uma visita íntima, no entanto, segundo as vítimas e a própria polícia, se aproveitou da situação para cometer os crimes sexuais.
“Ele literalmente abaixou minha calça. Não tive reação, não sabia o que fazer naquele momento. Fiquei congelada. Entrei em choque. Eu sabia que ele tinha me mostrado uma arma, tinha um canivete ali, naquele local, a porta estava trancada. Quando ele abaixou minha calça foi muito rápido. Minha calça era folgada e ele então ‘ingeriu’ o dedo na minha parte íntima, me molestou totalmente, abusou com os dedos. Não tive como me defender”, relatou uma das vítimas.
De acordo com o advogado Anderson Amorim, que faz a defesa das vítimas, elas teriam sido chamadas para a falsa entrevista por outros candidatos que teriam participado. “Individualmente foram entrando na sala do recrutador e sendo violentadas. A pretexto de mostrar procedimentos, de como deveria ser a atividade laboral, se aproveitou para abusar das vítimas”, diz.
Para piorar, após os abusos, o suspeito teria ameaçado as vítimas para que guardassem silêncio. “Ele pegou meu currículo e disse: ‘Sei onde você mora, tenho até seu número. Inclusive, vou agora mesmo adicionar ele na minha agenda telefônica’. Então ele abriu a porta e disse: ‘Espero que o que aconteceu fique aqui’”, relatou uma das vítimas.
A defesa das vítimas pretende processar o homem criminalmente e, no âmbito civil, pedir indenização à empresa onde ele trabalhava.
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Por meio de nota, a administração do Aeroporto repudiou a conduta registrada e se prontificou a contribuir com as investigações. “As câmeras de segurança do aeroporto não captam imagens dos escritórios privados das empresas em suas dependências, mas captam imagens do terminal de cargas e estão a disposição das autoridades (…) A concessionária repudia veemente qualquer gesto de violência e assédio, e não tolera nenhum ato desse tipo”.
Fonte:Revista Fórum