O volume de chuva fora do comum em cidades do litoral norte de São Paulo entre a noite de sábado (18) e a manhã deste domingo (19) pode ser classificado como um "evento climático extremo", segundo a meteorologista Ana Avila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas da Unicamp.
"O Brasil não tem um histórico de eventos extremos frequentes, embora registre fenômenos intensos, mas esse é um evento extremo de chuva", afirma a pesquisadora.De acordo com a Defesa Civil estadual, às 13h deste domingo (19), cidades como Bertioga e São Sebastião acumulavam mais de 600 mm de precipitações.
O índice pluviométrico refere-se à quantidade de chuva por metro quadrado em determinado local e período. Nesse cálculo, 1 mm de chuva equivale a 1 litro de água por metro quadrado. Assim, no caso em que o volume de chuva registrado é de 600 mm, significa que choveu 600 litros de água para cada metro quadrado.
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O volume das chuvas, de acordo com o MetSul, estão entre os maiores já vistos no Brasil em curto período em instabilidade não decorrente de ciclone de natureza tropical, fenômeno conhecido por gerar chuva extraordinária.
Modelos meteorológicos emitidos com 48 horas de antecedência indicavam precipitações com volume de 200 milímetros para o litoral, o que já representava uma condição de risco. Porém, a concentração da chuva em algumas localidades, sobretudo em São Sebastião, é o que explica a extrapolação. Choques de diferentes sistemas climáticos foram responsáveis pela ocorrência.
O transporte de umidade e calor da região amazônica encontrou, sobre a serra do Mar, uma frente fria que avançava a partir do sul do continente. "Isso estava previsto, mas ocorreu de forma
Ela explica que estas são condições incomuns, mas que eventualmente ocorrem no país, embora não seja possível "isolar a questão das mudanças climáticas dos eventos extremos que estão acontecendo com mais frequência". As fortes chuvas deixaram um rastro de destruição e mortes. Uma criança de 7 anos morreu em um deslizamento de terra em Ubatuba (220 km de SP) e a prefeitura de São Sebastião (197 km de SP) decretou estado de calamidade pública neste domingo.
A Defesa Civil de São Sebastião informou que os volumes registrados pelos pluviômetros são "excepcionais e recordes para a cidade". Na Barra do Una, Juquehy, Cambury e Boiçucanga choveu mais de 400 milímetros durante a madrugada, em um período de quatro horas. Há estações em que os volumes ultrapassam 600 milímetros em 24 horas.
Os dados citados pelo município quanto volume das precipitações foram atribuídas às medições automáticas realizadas por pluviômetros do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais). Reforçando que as chuvas foram ocasionadas pela passagem de uma frente fria que gerou um sistema de baixa pressão, trazendo umidade do oceano para o continente na região do litoral norte e Baixada Santista, a Defesa Civil estadual informou que a tendência é que essa massa de ar se desloque para o litoral sul, em direção ao Paraná, com acumulados podendo chegar a mais de 100 milímetros em Itanhaém e Peruíbe.
DE ACORDO COM A DEFESA CIVÍL ESTADUAL, OS MAIORES
VOLUMES ACUMULADOS NAS ÚLTIMAS 24 HORAS FORAM:
Bertioga 683 mm
Guarujá 395 mm
Santos 232 mm
São Vicente 194 mm
Cubatão 117 mm
Praia Grande 209 mm
Mongaguá 112 mm
Itanhaém 94 mm
Peruíbe 98 mm
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Ubatuba 335 mm
Caraguatatuba 234 mm
Ilhabela 337 mm
São Sebastião 627 mmmais intensa e concentrada", diz Avila.
Fonte: Folha de São Paulo