Nevascas que atingiram o leste chileno, na Cordilheira dos Andes, nos dias 20 e 21 de junho, deixaram vilas e cidades isoladas na região
Viajando com os três filhos e uma babá, os baianos Lais e Tiago Amoedo planejavam se divertir no Valle Nevado, estação de esqui localizada em um dos cumes da Cordilheira dos Andes.
Porém, as nevascas que atingiram o leste chileno, na região da cordilheira, nos dias 20 e 21 de junho, deixaram vilas e cidades isoladas e derrubaram as temperaturas para até −15°C. Entre os afetados, estevam os membros da família Amoedo.
A arquiteta Lais detalha os momentos que antecederam a viagem entre a capital chilena, Santiago, e o Valle Nevado. “Nossa viagem começou dia 18. Ficamos um tempo no Chile, curtindo Santiago, e nossa perspectiva era subir no dia 21, que foi o dia da nevasca”, conta.
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E completa: “A gente tinha tem um agente e ele me ligou e falou ‘olha, não vai dar para vocês saírem, porque a estrada está fechada’. Então a gente resolveu até sair um pouquinho do hotel”.
Segundo ela, as estradas, que teriam ficado obstruídas desde dia anterior, foram lideradas por volta das 10h30. “Quando deu 10h40 da manhã, ele encaminhou uma mensagem de uma pessoa que trabalha no Valle Nevado, e a pessoa falava assim ‘abriram as estradas, às vezes os carabineiros vão fechar, mas agora está aberta’. Então o nosso agente falou assim ‘vou pedir para vocês serem pegos, a van passa aí e pega vocês dentro de 20 minutos”.
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Os carabineiros são representantes da polícia ostensiva do Chile, que atuam em diversos pontos do país, incluindo a fiscalização das cordilheiras e estradas da região. Na ocasião, Lais detalha que eles foram liberados no posto dos carabineiros, sem nenhuma recomendação ou alerta sobre possíveis alterações climáticas.
“Eles deixaram a gente passar sem nenhum tipo de alerta sobre perigo, não fizeram nenhum controle maior. Eles simplesmente conferiram nossos vouchers e nos liberaram. Tanto é que a gente se sentiu o seguro com essa atitude e seguimos a nossa viagem”, explica. Lais detalha que durante o trajeto, a visibilidade era restrita, no entanto, eles chegaram a avançar mais da metade do caminho.
TEMPESTADE INÉDITA
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Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal
“Quando faltava mais ou menos seis quilômetros para o hotel, [o motorista] já não conseguia ver mais nada e foi aí que Tiago falou ‘estou aqui de roupa preta, eu vou correndo aqui um pouquinho e abrindo visibilidade para vocês saberem o caminho’”, conta. Segundo ela, eles conseguiram avançar por algum tempo até se depararem com uma minivan obstruindo a estrada.
No veículo, estavam um motorista e quatro brasileiros, de Porto Alegre. O grupo detalhou que o carro teria quebrado no caminho, e assim, Lais e Tiago abriram espaço na própria van, para que os cinco seguissem viagem com eles. Ela afirma, por sua vez, que isso não foi possível, pois o trecho da estrada era estreito demais para contornar a minivan. “Ai a gente viu que estávamos presos nesse momento. A gente não conseguia mais voltar, porque não tinha visibilidade nenhuma. Não dava nem para ver placas, não dava para ver nada, era só branco e na nossa frente tinha essa van”, afirma.
Lais detalha que o motorista contratada pelos Amoedo teria saído do veículo para fumar, próximo à mini-van à frente. Ela conta que os momentos seguintes foram de susto e apreensão.
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“A primeira avalanche veio muito, muito forte, real. Derrubou o carro da frente [a van dos outros cinco brasileiros], voou o motorista da gente e a nossa van ficou 100% encoberta [por neve] do lado direito e deixou apenas duas janelas, que não tinha neve, para a gente respirar. Foram essas duas janelas, a janela do motorista e a janela atrás do motorista, que ficaram assim 30% com o ar”, explica.
Fonte: Metrópoles