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Teto do consignado pode restringir crédito e encarecer outras linhas
Foto: Reprodução

O objetivo do governo ao limitar os juros praticados pelos bancos na concessão de empréstimo consignado para aposentados e pensionistas é claro: baratear e incentivar a concessão de crédito para essa população e, assim, estimular o consumo, driblando as amarras impostas pela Selic elevada. Mas especialistas ouvidos pelo Metrópoles alertam que o efeito pode ser justamente o oposto.


Após a aprovação do novo teto de 1,97% ao mês para o custo do consignado a beneficiários do INSS, os bancos, representados pela Febraban, disseram que não concordam com o limite imposto pelo governo. De acordo com o argumento das instituições financeiras, a taxa mensal está abaixo do custo de captação de alguns bancos, o que inviabilizaria essa concessão de crédito.


A partir de agora, diante do novo teto, cada banco decidirá se deve seguir ofertando o consignado aos aposentados e pensionistas. Para instituições menores, que captam recursos no mercado com taxas superiores à da Selic (que está em 13,75% ao ano), o risco de calote, ainda que menor, pode não valer a pena.

 

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“Com o limite, o que acontecerá na prática é que os bancos vão ser mais seletivos na hora de conceder o empréstimo. O governo está, indiretamente, tampando uma das fontes de crédito com juros mais baixos disponíveis para a população”, explica João Abdouni, analista do setor financeiro da Skopos.

 

Em termos comparativos, enquanto os juros do crédito consignado do INSS rondam em 2% ao mês, a taxa média mensal do crédito pessoal não consignado está em mais de 5%. Ou seja: quem não tiver acesso ao consignado pagará mais do que o dobro para obter um empréstimo pessoal. Os dados são do Banco Central.

 

Sem falar em outras linhas que são mais disponíveis e, por isso, acabam sendo mais acessadas pelos consumidores que precisam de dinheiro de forma rápida. O cheque especial (modalidade acionada quando o “limite” da conta corrente é usado) tem juros de 7% ao mês. O rotativo do cartão (quando o cliente não paga o valor da fatura integral e repassa parte da dívida para os meses seguintes) cobra 14% ao mês.Juros mais altos em outras modalidades


Os bancos que não restringirem a concessão do consignado para aposentados e pensionistas devem tentar uma forma de compensação em outras linhas, diz Abdouni.

 

“O cliente até pode conseguir o consignado por taxas menores, mas quando ele for contratar outro tipo de crédito, como o crédito pessoal ou até o cheque especial, o banco cobrará taxas maiores.

 

O setor financeiro não perde receita, ele apenas se adapta”, lembra o analista.Em relatório publicado nesta semana, o banco BTG Pactual afirmou ter uma análise cautelosa do setor bancário da America Latina, sobretudo no Brasil, em razão de fatores como o plano do governo de limitar a taxa de juros de determinadas modalidades, como o consignado do INSS.

 

Já o UBS, em um termômetro de mercado semanal, mostrou que todos os maiores bancos, com exceção da Caixa, praticavam taxas de juros no consignado mais elevadas do que o limite de 1,97% ao ano (cerca de 26,4% ao ano).

 

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A taxa anual do Itaú estava perto de 29%, enquanto Bradesco e Santander tinham custo de 27,2%. Já a Caixa, a única que atenderia ao limite atual, pratica juros anuais de 24,6%.

 

Fonte: Metrópoles

 

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