O transplante de órgãos infectados com o vírus HIV em seis pessoas no Estado do Rio, que aconteceu por um erro escandaloso do laboratório PCS Lab Saleme (que fica em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense), não é apenas caso de polícia.
Para as vítimas, o que seria a solução se tornou um problema para a vida inteira, como explica Márcio Villard, coordenador-geral do Grupo Pela Vidda, que há 35 anos desenvolve um trabalho de apoio a pessoas que vivem com HIV.
Segundo ele, o tratamento contra o vírus é contraindicado para transplantados porque os medicamentos ministrados aos soropositivos servem para aumentar a imunidade, o que pode ser prejudicial para quem acabou de ser submetido a um transplante.
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— Imagina uma pessoa que era paciente renal crônico, que fazia hemodiálise para sobreviver, receber um rim com a expectativa de vencer a doença e ganhar qualidade de vida e descobrir que foi infectado pelo vírus de uma doença que não tem cura.
Sem contar que o tratamento contra o HIV é contraindicado nesses casos, pois o transplantado não pode ficar com a imunidade alta, pois isso pode provocar a rejeição do órgão. A imunidade deles precisa estar muito bem controlada — afirma.
Além disso Villard lembra que essas pessoas ainda vão ter de enfrentar o estigma de conviver com um vírus que ainda tem uma carga de preconceito muito grande. Porém, ele não acredita que o episódio vá comprometer a credibilidade do sistema de transplante brasileiro, considerado um dos maiores do mundo. A seu ver, o que aconteceu foi falha do estado na contratação de um laboratório, no caso o CS Lab Saleme.
O Grupo Pela Vidda se colocou à disposição dos pacientes infectados para oferecer acompanhamento jurídico. Os contatos estão sendo intermediados por uma colaboradora, que já teria contatado duas famílias. Villard acredita que o ideal nesse caso seria uma ação coletiva.
Na última sexta-feira (11), a rádio BandNews divulgou que seis pessoas testaram positivo para HIV após receberem órgãos infectados em cirurgias feitas no Rio. No mesmo dia, a Delegacia do Consumidor (Decon) instaurou um inquérito para investigar o laboratório PCS Lab Saleme, que tem sede em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense e foi contratado pela Fundação Saúde, ligada à Secretaria estadual de Saúde.
Parte da equipe do PCS Lab Saleme, inclusive os sócios, é alvo de ações para entender se os exames foram fraudados e se há outros casos. Quatro pessoas tiveram as prisões temporárias por cinco dias decretadas pela Justiça: Walter Vieira, Jacqueline Iris Barcellar de Assis, Cleber de Oliveira Santos e Ivanilson Fernandes dos Santos.
Walter, sócio do laboratório, e Ivanilson foram presos durante uma operação da Decon nesta segunda-feira. De acordo com as investigações, Ivanilson seria um dos responsáveis técnicos pelos laudos.
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Já Cleber de Oliveira Santos, ainda foragido, estaria atuando no protocolo dos exames junto com Ivanilson. Jaqueline se apresentou ontem na Decon e ficou detida. Ela, que teria assinado laudos atestando que os órgãos que seriam transplantados eram saudáveis, apresentou diploma falso.
Fonte:Extra