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Ucrânia alerta para risco de explosivos em central nuclear de Zaporíjia, e Moscou aponta ato subversivo de Kiev; entenda
Foto: Reprodução

Usina é alvo de preocupações internacionais desde que guerra eclodiu há 17 meses; local está sob controle russo desde o início do conflito

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou em seu pronunciamento diário de terça-feira que a Rússia pode ter planos de explodir partes do complexo nuclear de Zaporíjia, na região ucraniana homônima, e Kiev assegura que há procedimentos em curso para lidar com uma emergência. Os russos, por sua vez, alertam para as "consequências catastróficas" de um possível "ato subversivo" de Kiev na usina, sob controle do Kremlin desde os dias iniciais da guerra que eclodiu em fevereiro do ano passado. A troca de acusações acirra as já altas preocupações sobre a segurança da central atômica, a maior da Europa.

 

QUAL É A TENSÃO MAIS RECENTE?


Há semanas circulam relatos do agravamento da situação em Zaporíjia, que nos últimos meses viu em seus arredores uma série de batalhas, disparos de foguetes e artilharias — algumas delas caindo inclusive perto da central nuclear. Em seu pronunciamento de terça, contudo, Zelensky disse que "os militares russos puseram objetos que parecem explosivos no telhado de várias unidades" da usina, citando informações de sua inteligência.

 

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— Talvez para simular um ataque à usina. Talvez tenham algum outro cenário — afirmou o presidente ucraniano. — O mundo vê (...) que a única fonte de perigo para a planta nuclear de Zaporíjia é a Rússia e mais ninguém.

 

De acordo com Zelensky, Moscou estaria suficientemente empoderada para realizar um ataque desta magnitude porque não houve uma resposta internacional "célere e de ampla escala" do Ocidente à destruição da barragem de Kakhovka e da hidrelétrica adjacente no mês passado. A autoria do incidente, em uma área sob controle de Moscou mas perto da linha de frente, não está clara, mas ambos lados trocam acusações pela destruição da barragem, a segunda maior das seis no rio Dniéper.

 

— Isso pode incitar o Kremlin a realizar novos atos malignos — disse Zelensky, que falou das "provocações perigosas" durante uma conversa por telefone com Macron na terça. — É a responsabilidade de todos no mundo interromperem isso, ninguém pode ficar de lado, já que isso afeta a todos.

 
Diante dos temores, o Ministério da Saúde ucraniano afirma ter notificado quem vive na região para ter remédios e equipamentos de primeiros socorros às mãos, além de itens pessoais, em preparativo para uma "possível evacuação" a qualquer momento. De acordo com o Ministério da Defesa, "objetos similares a artefatos explosivos" foram postos nas lajes dos reatores 3 e 4" e suas detonações deveriam "dar a impressão de que eram bombardeios ucranianos".

 

O QUE DIZ A RÚSSIA?


O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta quarta que há risco de um possível "ato subversivo" de Kiev com "consequências catastróficas". Segundo ele, "a situação é muito tensa porque o risco de um ato subversivo por parte do regime de Kiev é muito elevado".

 

— A situação é muito tensa, porque o risco sabotagem, que poderia ter consequências catastróficas, é muito real — disse ele em seu pronunciamento diário à imprensa. — Então, evidentemente, todas as medidas estão sendo tomadas para conter tal ameaça — completou, acusando Kiev de ter demonstrado em "múltiplas ocasiões" sua "disposição a tudo".

 

Moscou anexou unilateralmente a região de Zaporíjia em setembro do ano passado, junto com o território vizinho de Kherson e as regiões de Donetsk e Luhansk, no leste — todas elas palcos de batalhas ativas. Autoridades pró-Moscou realizaram referendos não reconhecidos pela comunidade internacional para justificar as anexações, condenadas na Assembleia Geral da ONU.

 

O QUE É ZAPORÍJIA?


A usina nuclear de Zaporíjia, com seis reatores, é o maior complexo nuclear da Europa e um dos dez maiores do mundo. Ela foi construída pela União Soviética perto da cidade de Enerhodar, às margens da barragem de Kakhovka, responsável por alimentar o lago que resfria seus seis reatores — ao todo, há 15 em toda a Ucrânia.

 

Segundo a estatal energética ucraniana, Energoaton, o nível de água no lago permanece estável, apesar de a reserva ter se esvaziado.

 

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Fonte: O Globo

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