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Uma terapeuta sexual e embaixadora contra a solidão
Foto: Reprodução

Ruth Westheimer: embaixadora contra a solidão no estado de Nova York

Depois de o Reino Unido e o Japão criarem ministérios dedicados a combater os males da solidão, a governadora do estado de Nova York, Kathy Hochul, inovou na questão: transformou a terapeuta sexual Ruth Westheimer, de 95 anos, em embaixadora da causa. 

 

Em entrevista recente, afirmou que ainda fala sobre orgasmos, mas que não quer ser vista apenas como terapeuta sexual. Na sua opinião, a epidemia de solidão que afeta as pessoas é mais urgente atualmente. “A primeira coisa a fazer é ter coragem de admitir que você se sente só”, ensina. A iniciativa de criar a posição de “embaixadora” partiu da própria Ruth, que ofereceu seus serviços. O lobby funcionou e o cargo, honorário, se materializou.

 

O peso da solidão vem ganhando destaque cada vez maior, com a comprovação científica de que é um fator de risco para a longevidade. Miriam Westheimer, sua filha de 66 anos, contou que a pandemia foi um golpe duro para a mãe, acostumada a sair todos os dias. No entanto, Ruth avalia que houve pelo menos um ponto positivo no confinamento:

 

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“Fiquei isolada tempo suficiente para me lembrar de ter escrito um diário, quando jovem, sobre como me sentia solitária. E consegui achá-lo”.

 

O diário, iniciado em 1945, quando tinha 17 anos, foi escrito em alemão, sua língua nativa, com trechos em hebraico. Nascida Karola Ruth Siegel, de uma família judia ortodoxa da cidade alemã de Wiesenfeld, ela foi colocada num trem, em 1939, com apenas 10 anos. O destino era a Suíça, onde sua mãe acreditava que estaria a salvo do nazismo – o pai tinha sido sequestrado seis semanas antes.

 

Ruth Westheimer: embaixadora contra a solidão no

estado de Nova York (Foto: Divulgação)

 

 Apesar de ter escapado do horror do Holocausto, a sensação de estar deslocada e desconectada das pessoas à sua volta foi uma constante em sua infância. Depois da guerra, Ruth adotou o nome do meio e foi para Israel. Durante todo esse tempo, o diário foi seu confidente e melhor amigo. Ao completar 19 anos, em 1947, escreveu: “ninguém me deu parabéns”.

 

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Ao reler as anotações, a terapeuta reconheceu traços em comum entre as duas questões: “ninguém admite dificuldades no sexo, assim como não quer reconhecer que não tem amigos”. Se, nos anos de 1980, era um ícone ao abordar o estigma da Aids tratando abertamente de temas como homossexualidade e o uso de preservativos, agora quer acabar com o estigma da solidão. Para começar, sugere: “se você se sente só, não se relacione apenas com outros solitários. Isso não vai ser produtivo”.

 

Fonte: Uol 

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