O aposentado conta que no ano passado o reajuste do contrato foi de 52%
Após denúncia do EXTRA, a Unimed-Ferj voltou atrás e suspendeu o reajuste de 300% do plano de saúde do bancário aposentado Henrique Manuel Morgado. Aos 72 anos e em meio ao tratamento de um câncer agressivo que já atinge vários órgãos, o idoso viu a mensalidade passar de R$ 2.761 para R$ 11.062.
O aposentado foi procurado pela QV Saúde, que administra a carteira coletiva de que faz parte. A empresa informou que a cobrança seria suspensa. Nesta quarta-feira (dia 26) ele recebeu um boleto atualizado com o valor anterior, de R$ 2,7 mil.
Gerente jurídico da QV, Henrique Bayon afirmou que a empresa apenas repassa os percentuais definidos pela operadora ao beneficiário, mas que ainda na terça-feira a Unimed informou à empresa que o reajuste proposto, de 300%, não seria mais aplicado.
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— Chorei várias vezes ao ver o dia do vencimento se aproximar. Fiquei desesperado. Já estava difícil por R$ 2.700. Nesse novo valor, é impossível. Sempre paguei e nunca usei o plano. Quando mais preciso, acontece algo assim — lamenta o bancário aposentado.
Bayon explicou ainda que o contrato coletivo que o idoso faz parte era formado por ex-funcionários da Caixa Econômica Federal. Ao longo dos anos e por diferentes razões, os usuários foram deixando a carteira, que hoje só inclui o aposentado.
– Esse foi o reajuste da apólice inteira, mas só ele está no contrato atualmente. Certamente esse foi um dos motivos que levou a esse percentual, porque seria só ele custeando toda a sinistralidade e o cálculo atuarial que define o reajuste se mantém o mesmo – analisa.
No ano passado, a operadora chegou a entrar com um pedido de cancelamento da carteira. Mas a operação foi suspensa depois de o idoso, já em meio ao tratamento oncológico, levar o caso à Justiça.
Esse não foi o primeiro reajuste de alta escala sofrido pelo idoso no plano de saúde. Em 2023, o contrato passou de R$ 1.816 para R$ 2.761, um aumento de 52%. Ele buscou a operadora mas, sem mais explicações, decidiu também questionar o valor na Justiça.
— O pedido foi negado em primeira instância, mas recorremos e agora esperamos a decisão dos desembargadores. Vamos peticionar esse novo aumento e informar ao Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). Queremos que se mantenha o valor de R$ 1.816 até que a Justiça decida qual o percentual que deve ser aplicado — explica a advogada Valéria Neves, que representa o aposentado junto da advogada Carolina Schwartz.
OPERADORA PEDE DESCULPAS
Henrique foi diagnosticado em 2022 com um adenocarcinoma avançado no intestino, mas a doença se espalhou, alcançando o pulmão e partes do abdômen. Ele chegou a fazer quimioterapia tradicional, intravenosa, mas com a piora no quadro, o médico do aposentado decidiu pelo tratamento oral.
A medicação é feita em ciclos, com dias de pausa. As primeiras doses, porém, só foram liberadas com um mês de atraso, e a segunda remessa deveria ter chegado há 20 dias.
Além disso, o idoso conta que a Unimed tem atrasado a entrega das bolsas de colostomia e negado pedidos de procedimentos mais complexos, como o PET-CT. O exame de imagem é capaz de detectar tumores em todos os lugares do corpo, e foi solicitado pelos oncologistas do aposentado justamente pelo quadro de agravamento da doença.
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Em nota, a Unimed-Ferj afirmou na terça-feira que entrou em contato com o usuário para esclarecer sobre o reajuste contratual e a autorização da medicação.
Já na manhã desta quarta-feira (dia 27), porém, o idoso voltou a ter problemas para acessar a quimioterapia oral. O problema só foi resolvido à tarde. O EXTRA buscou novamente a operadora, mas ainda não teve retorno.
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– Um atendente da Unimed me ligou, pediu desculpa e disse que estava tudo aprovado, mas fui buscar pela manhã e disseram que a autorização foi cancelada. É um transtorno – conta.
Fonte: Extra