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Vereador que tentou abrir CPI contra o padre Júlio Lancellotti vira alvo de inquérito da polícia
Foto: Reprodução

Fundador do MBL e bolsonarista, Rubinho Nunes será investigado por abuso de autoridade por usar suas prerrogativas de vereador para perseguir o religioso

A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para investigar o vereador da capital paulista Rubinho Nunes (União Brasil) por abuso de autoridade. O bolsonarista, um dos fundadores do grupo de extrema direita Movimento Brasil Livre (MBL), é acusado de utilizar suas prerrogativas de parlamentar municipal para perseguir o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua.

 

No início deste ano, Nunes tentou, por mais de uma vez, abrir Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) que tinham por objetivo criminalizar o trabalho do pároco junto a pessoas em situação de rua e dependentes químicos. Nesta empreitada de abrir a investigação, o vereador fez uma série de acusações contra Lancellotti, entre elas a de que o religioso teria cometido crimes sexuais.

 

Nenhum pedido de criação de CPI foi para frente, mas Rubinho Nunes seguiu permanentemente atacando Júlio Lancellotti através das redes sociais e incitando uma horda de extremistas a fazer o mesmo. O religioso, inclusive, já foi alvo de inúmeras ameaças, inclusive de morte.

 

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Ao instaurar inquérito para investigar o vereador bolsonarista, a Polícia Civil atendeu a um pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que acatou um pedido do Instituto Padre Ticão, que havia entrado com uma notícia-crime contra Rubinho Nunes por abuso de autoridade.

 

"Ele [Rubinho Nunes] usa de uma prerrogativa muito importante e muito cara ao poder Legislativo, que é a instauração de CPI, para banalizá-la. E é contra um padre defensor de direitos humanos que é idoso, o que também é um agravante. Não é porque tem uma pessoa tem uma prerrogativa ou um direito que ela pode sair exercendo de qualquer forma. Usar o expediente de uma CPI contra um CPF, um destinatário certo, está fora do objetivo da coisa. A nosso ver, a intenção é conseguir voto e visibilidade em um ano eleitoral", disse ao jornal Folha de S. Paulo o advogado André Jorgetto, que representa o Instituto Padre Ticão.

 

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Segundo o promotor Paulo Henrique Castex, a Polícia Civil foi acionada para abrir o inquérito contra Rubinho Nunes pois "o caso merece ser melhor esclarecido, para apurar se houve conduta com repercussão criminal".  

 

Fonte: Revista Forum

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