Alexandre Mello e Anne Caroline
"Assassinaram uma inocente a troco de nada". A frase de Alexandre Mello são de revolta nove meses depois da morte de sua mulher, Anne Caroline Nascimento Silva. A estudante de enfermagem foi morta aos 23 anos, durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na Rodovia Washington Luís. Aquele 17 de junho de 2023 ainda está bem vivo na memória de Alexandre.
Os quatro policiais rodoviários federais que atiraram e mataram a estudante foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça por homicídio qualificado. Na denúncia, o MPF também pediu a prisão preventiva dos agentes. Alexandre cobra justiça e pede prisão dos agentes envolvidos.
O casal voltava de um restaurante quando a jovem foi atingida por um dos oito tiros de fuzil disparados contra o carro em que estavam. A moça chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos causados pela arma de fogo. Os dois vinham de uma comemoração do aniversário da união deles.
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— Não teve blitz, não teve nada. Simplesmente fuzilaram meu carro — afirma Alexandre, que aguarda resolução do processo contra os quatro agentes da PRF envolvidos no caso.
Na última semana, eles foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça por homicídio qualificado. Na denúncia, o MPF também pediu a prisão preventiva dos agentes Thiago da Silva de Sá, Jansen Vinícius Pinheiro Ferreira, Diogo Silva dos Santos e Wagner Leandro Rocha de Souza.
— Eles têm que pagar pelo que aconteceu. Todos devem ser presos e responsabilizados pelo assassinato da Carol — cobra Alexandre.
Se condenados, os agentes podem pegar até 30 anos de prisão. Além de homicídio, eles ainda foram acusados de cometer fraude processual, tentativa de homicídio e lesão corporal grave na modalidade culposa, já que um dos tiros atingiu um Corsa Max que também seguia pela Washington Luiz, ferindo a diarista Claudia dos Santos, que sobreviveu, mas precisou ficar afastada do trabalho.
A denúncia do MPF ainda pede indenização para Alexandre e Claudia dos Santos (diarista que estava em outro carro e foi atingida), no valor de R$ 1,5 milhão e R$ 1 milhão, respectivamente, pelos danos morais e materiais causados na ocorrência. A defesa dos agentes da PRF não foi encontrada para comentar o caso.
Segundo depoimento de Alexandre, no dia 17 de junho de 2003, por volta das 22h, uma viatura policial, com os faróis apagados, se aproximou do carro que ele dirigia e passou a perseguir o veículo.
Minutos depois, os agentes ligaram o giroflex e, sem que houvesse tempo para ordem de parada ou qualquer outra forma de abordagem policial adequada, iniciaram a sequência de oito disparos de fuzil. Sete deles atingiram o automóvel e um tiro acertou Anne Caroline.
No mesmo momento, Alexandre parou o carro e saiu com as mãos levantadas. Ao perceberem que havia uma pessoa ferida, um dos policiais assumiu o volante do carro e dirigiu para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, localizado no Bairro da Penha, Zona Norte do Rio, acompanhado pela viatura policial, que seguiu atrás.
Ainda segundo depoimento de Alexandre, enquanto a mulher era atendida, os quatro agentes da PRF teriam intimidado Alexandre. Anne teve a morte declarada horas depois, às 2h50 da manhã.
Para Alexandre e família só fica a saudade de uma jovem cheia de sonhos e apaixonada por sua família:
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— Agora meus filhos estão sem a madrasta, que os criou desde os dois anos de idade. Todos os dias, meus filhos perguntam 'cadê mamãe?'
Fonte: Extra