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'A família foi se desfazendo', diz advogada da família de mulher vítima de feminicídio em Bangu; crime completa um ano
Foto: Reprodução

O feminicídio de Aline da Silva de Oliveira completa um ano neste domingo. A tristeza nos meses seguintes ao crime consumiu, gradativamente, a mãe Marli Oliveira, que, já doente e debilitada, morreu em setembro passado. Usias da Silva acompanhou a partida da esposa, e, sozinho, aprendeu a conciliar os lutos para cuidar do neto, o caçula de Aline, agora com 10 anos. O menino, além de ter visto o pai Marcius Resener assassinar a mãe, no portão da escola onde estudava, também foi vítima de violências.

 

Aline, Marli e Usias moravam numa casa inacabada em Bangu, construída, pouco a pouco, pelo suor e sonho do patriarca em dar um lar à família. O neto, devido à guarda compartilhada, frequentava o imóvel de forma intercalada, até que foi impedido de continuar as visitas. Em 2022, ele foi mantido em cárcere privado por Marcius, que fugiu com ele para Brasília depois que a Justiça concedeu a guarda definitiva do menino à mãe. A criança só foi encontrada em fevereiro do ano passado, três meses antes do assassinato de Aline.

 

Atualmente, a casa da família está vazia. Após a morte de Marli, Usias se mudou com o neto para o interior do estado, onde tenta, aos poucos, recomeçar a vida. A distância física, contudo, não os afasta dos processos contra Marcius, que está preso desde 5 de maio de 2023.

 

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— A família da Aline foi se desfazendo. A mãe se entregou à depressão, já não comia direito, estava de cadeira de rodas, muito desanimada. A filha mais velha foi morar com o pai, o do meio também. Usias ficou sozinho com o caçula, mudou de cidade, mas também está abatido — conta Michele Monsores, advogada e amiga da família.

 

O júri sobre o feminicídio de Aline ainda não tem data marcada, mas, em março deste ano, Marcius foi condenado a cinco anos de prisão pelo cárcere do filho. Na sentença, a juíza Marcia Regina Sales Souza, da Vara da Criança e Adolescente Vítima, destacou que o crime foi agravado pelo grau de parentesco do autor com a vítima.

 

Durante as audiências do processo, o menino contou que o pai compartilhou com ele os planos para assassinar a mãe, além de ter narrado as agressões que ela sofreu, inclusive durante as visitas da guarda compartilhada. O garoto também narrou a vez em que foi espancado por Marcius ao ter escrito o número três de forma errada: ele fechou as janelas, as cortinas, pegou o estojo da escola e começou a agredir o filho.

 

No depoimento, a criança afirmou que o pai o impedia de ter contato com as pessoas, explicando que faltava a escola quase todos os dias e que não pedia para ver a mãe porque tinha medo. Além disso, antes de ter sido levado para Brasília, ele mudou de casa cerca de sete vezes com Marcius, que encontrou nas mudanças de endereço uma forma de punir Aline.

 

ASSASSINATO NA PORTA DA ESCOLA

 

O feminicídio de Aline aconteceu em Bangu, no dia 5 de maio de 2023, na calçada da escola onde o caçula estudava. O menino estava com a mãe, quando Marcius apareceu de carro, encapuzado e de roupas pretas, e atirou contra ela, fugindo com o filho logo depois. Uma namorada de Marcius, acusada de cúmplice, também é réu pelo feminicídio.

 

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Aline era vítima de violência doméstica desde o início de seu relacionamento com Marcius, mas as agressões se intensificaram após o divórcio. Ciente da vulnerabilidade de Aline, a advogada Michele Monsores fez dois pedidos de medida protetiva, um em 2021 e outro em 2022, mas ambos foram negados por falta de provas. A concessão só aconteceu no início de 2023, quando o filho retornou de Brasília, mas não foi suficiente para evitar a tragédia.

 

Fonte: Extra

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