Alair Barbosa, de 72 anos, morta após um roubo em Copacabana, na Zona Sul do Rio, no último domingo, nunca se sentiu segura no Rio de Janeiro. Por isso, conta sua filha Isabella Barbosa Meireles, era tão feliz viajando mundo pelo mundo. A sensação de insegurança, aliás, é comum à família. Os planos de Isabela e seu marido, Roberto Carlos Lyra da Silva, é sair da cidade quando os dois, que são funcionários públicos (ela, enfermeira; ele, enfermeiro e professor universitário), se aposentarem. O casal, aliás, tinha um acordo com Alair.
— Ela não gostava de viver aqui, queria ir embora do Rio de Janeiro. Ela falava isso para a gente. Inclusive, a nossa promessa era que, quando a gente se aposentasse e fosse embora, a levaria conosco — conta Isabella.
O casal soube da notícia da morte de Alair na noite de domingo. Eles tinham passado o dia na casa do irmão de Roberto, comemorando o aniversário da esposa dele. O enfermeiro lembra que já estava cochilando quando ouviu o celular de Isabella tocar.
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— Ela falava "Oi, mãe, oi, mãe". A pessoa não respondia. Então, Isabella retornou e era a amiga da Lalá (apelido de Lair), desesperada. Não conseguia dar a notícia para a gente, e ela já estava dentro da ambulância. Mas não conseguia explicar. Até que falou "olha, a sua mãe foi assaltada aqui e o ladrão empurrou ela no chão". Aí, eu me espantei quando Isabella falou "o quê? o que houve?". Foi só trocar de roupa. Quando chegamos no hospital, ela tinha acabado de ser levada para lá pelo Samu. Estava na maca ainda acordada, mas já bastante confusa — lembra Roberto.
Lair foi logo levada para a sala de tomografia. E Roberto, como é enfermeiro, procurou um colega para entender o que estava acontecendo. Como ela teve um hematoma muito grande — foram três fraturas na base do crânio —, precisou passar por uma cirurgia. E foi aí que ele entendeu o tamanho da lesão. para tomografia e eu fui procurar o residente para saber. Assim, no intervalo de 30 minutos entre a nossa chegada, para tomografia. Quando o médico falou, já sabia. Ela teve um hematoma extenso, foram três fraturas na base do crânio.
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— Ela foi para a cirurgia, aparentemente tudo tranquilo. Quando tiraram a calota craniana para fazer o esvaziamento do hematoma, sangrava muito. Num primeiro momento, um sangramento que não entendíamos — explica. — Hoje (nesta terça-feira), um legista veio conversar com a gente e disse que ela teve três fraturas e comprometimento da artéria vertebrobasilar, que nutre o tronco encefálico, responsável pela nossa vida vegetativa. Está aí o motivo dela sangrar tanto. Quer dizer, não tinha a menor chance.
Lair passeava por um dos cartões-postais da cidade ao lado de duas amigas, no último domingo, quando foram surpreendidas por dois homens que tentaram arrancar o colar que usava. Ela estava de volta ao Rio, onde morava quando não estava viajando, a principal atividade após a aposentadoria da carreira como enfermeira.
A Polícia Civil ainda procura por imagens de câmeras de segurança que ajudem a descobrir quem foi o responsáveis pela morte da idosa e também identificar possíveis novas testemunhas do caso.
Segundo a polícia, o menor que foi levado à delegacia suspeito de ter cometido o crime tem seis anotações criminais por crimes de furto e roubo. No ano passado ele chegou a ser conduzido a uma delegacia suspeito de ter agredido e roubado duas turistas, também em Copacabana.
Após a morte de Alair, o caso foi encaminhado à Delegacia de Homicídios da Capital, que prosseguirá com as investigações. A idosa deixa duas filhas, uma delas morando atualmente na Alemanha, duas netas e seis irmãos. Seu corpo será sepultado nesta quarta-feira, no Cemitério São João Batista, na Zona Sul do Rio.
'TINHA MEDO DE ASSALTO'
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Fotos: Reprodução
A filha conta que a mãe tinha medo de ser assaltada e queria deixar o Rio de Janeiro por conta da insegurança:
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— Ela tinha muito medo de assalto, não andava com cartão de débito na bolsa. Ela não andava, por exemplo, com o celular com o aplicativo do banco, ficava em casa. Como que ela tinha medo de roubar, ela tinha essa preocupação. Tenho, inclusive, dúvida se o cordão que ela tava usando era de ouro, porque ela não andava com joia, com nada disso.
Fonte: Extra