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'Foi a cena mais horrível da minha vida', diz avô de menina encontrada viva a respeito de tragédia em Petrópolis
Foto: Pablo Porciuncula

Quatro pessoas da família morreram em desabamento no bairro Independência

Em meio à tristeza que, desde a última sexta-feira, assola o bairro Independência, em Petrópolis, o resgate da pequena Ayla, de 4 anos, foi motivo de alívio. A menina foi retirada dos escombros pelos bombeiros na manhã deste sábado, 15 horas após o desabamento que matou quatro pessoas de sua família. Tão logo foi resgatada, ela chamou pelos pais, Ana Beatriz Casimiro e Douglas José da Silva Souza, ambos de 25 anos, que morreram soterrados. Segundo parentes, Douglas usou o próprio corpo para proteger a filha.

 

— Nossa família está muito mal, mas pelo menos conseguimos resgatar a criança com vida — disse Jonathan Oliveira, de 31 anos, primo de Douglas: — Ele foi um guerreiro, porque sustentou a estrutura a noite inteira para salvar a filha. Ela saiu bem, só saiu chorando.

 

Segundo testemunhas, no momento do desabamento, Douglas estava sentado numa poltrona. Ele colocou Ayla ao lado do móvel e ficou com o peso dos escombros sobre seu corpo. Após o resgate, a menina foi levada a um hospital da região. Seu estado de saúde era bom.

 

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— Ela olhou para a gente assustada e, no colo dos bombeiros, começou a chamar a mamãe e o papai. Falou: “Quero a mamãe”. É muito triste porque ela era muito apegada. Daqui a pouco vai começar a perguntar cadê eles dois — disse Jonathan.

 

Avô da menina, Fabiano Casimiro Lima, de 46 anos, classificou a tragédia como “a cena mais horrível” de sua vida. Além da filha, Ana Beatriz, e do genro, Douglas, ele perdeu no desabamento a mãe, Maria Lúcia Casimiro, de 67, e o neto Lucas Casimiro, de 9, irmão de Ayla:

 

— Foi a cena mais horrível da minha vida. Estávamos todos no quarto e do nada ouvimos um estrondo. Quando eu abri os olhos, só via lama. Eu tentei segurar o máximo de peso que consegui para salvar a vida da minha família, mas não foi suficiente. Eu queria proteger a minha filha, só que não tive tanta força. Eu ainda peguei na mão dela enquanto estávamos soterrados. Só sentia a terra e a ferragem, tanto que machuquei a minha orelha. Eu ouvia as pessoas gritando e fazendo barulho do lado de fora. Eu nem sei como estou aqui. Foi Deus.

 

Fabiano afirmou que se sentia seguro no local, mesmo sabendo do temporal anunciado:

 

— Vemos esses desastres acontecendo, mas nunca achamos que vai ocorrer conosco. Estou destruído. Minha filha era uma menina nova, com 25 anos, cheia de sonhos, planos, sorridente.

 

EM TERESÓPOLIS, CRIANÇA E ADOLESCENTE MORREM

 

As fortes chuvas que caíram no Rio deixaram mais vítimas na Região Serrana. Em Teresópolis, na madrugada deste sábado, uma encosta derrubou a casa de uma família na comunidade da Coreia. Kayque dos Santos Silva, de 8 anos, e Miguel Lopes Ricardo Ramos, de 14, morreram no local. Michelli Lopes Sampaio, mãe do adolescente, e o marido dela, Robison Conceição da Silva, pai de Kaique, foram resgatados com vida.

 

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O corpo de Miguel foi encontrado à tarde, após o trabalho que envolveu bombeiros e moradores da região. Segundo parentes, ele estava escrevendo uma carta para a namorada quando tudo aconteceu. Ainda de acordo com relatos, diferentemente do que aconteceu com os menores, a lama levantou os adultos e, por isso, eles não foram soterrados.

 

Fonte: Extra

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